Kali Uchis fala sobre músicas ‘para refletir e balançar a bunda’: ‘Gosto das duas coisas’


Colombiana estourou com soul ‘caliente’ e fala ao G1 sobre 2º disco com letras em espanhol, sem preconceito com ritmos latinos: ‘Meus primos acham um lixo, mas eu gosto’. Ouça podcast. Kali Uchis não gosta de escolher entre dois lados. Batizada de Karly-Marina, ela é colombiana-americana e foi criada entre a América do Sul e a do Norte. Despontou com os hits em inglês do álbum “Isolation” (2018). O segundo, “Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)” (2020), é todo em espanhol.
O álbum mais recente inclui o soul e R&B que predominava na estreia e também aumenta o peso dos ritmos latinos, do reggaeton ao bolero.
“Tem horas que quero uma música para relaxar e refletir, mas depois quero outras para balançar a bunda e não pensar em nada, só me sentir sexy, ficar bem e dançar. Gosto de poder fazer as duas coisas”, ela diz ao G1 (ouça no PODCAST acima).
Ela é fã de música brasileira. No nosso terreno ela também joga dos dois lados. Kali curte a voz delicada de Astrud Gilberto (como se ouve na bossa-nova “Body language”, que abre o primeiro disco) e o funk desbocado do trio curitibano Bonde do Rolê.
Antenada, a artista de 26 anos também curte Pabllo Vittar e sabe da relação da cantora com o Bonde do Rolê – o produor de Pabllo, Rodrigo Gorky, é ex-membro do trio. Ela também está ligada em Anitta e disse que até já conversou com a brasileira sobre possível parceria.
Kali Uchis no clipe de ‘Ridin Round’
Reprodução
Quem sabe um dia Anitta entre no ótimo rol de parceiros de Kali, que inclui Gorillaz, Kevin Parker (Tame Impala), Tyler the Creator, Bootsy Collins, Jorja Smith no primeiro disco e Rico Nasty, Jowell & Randy e PartyNextDoor no segundo.
A talentosa colombiana ainda falou sobre sua estreia no cinema, no filme “Blast beat”, que foi exibido no festival de Sundance, nos EUA, e rendeu elogios por sua atuação.
A conversa com o G1 aconteceu quando ela finalizava o disco, ainda no começo de 2020, e tinha como gancho o show no festival Lollapalooza, em São Paulo, que estava marcado para março. O evento foi adiado para setembro de 2021 e ainda não confirmou a programação.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
G1- Você disse que o disco é uma “volta às raízes”. Quais são elas?
Kali Uchis – “Isolation” foi muito elogiado por críticos. Mas o disco novo vai ser muito mais “eu” do que o primeiro. Acho que me abri mais. Até que o “Isolation” foi honesto, mas eu fiquei com medo de me expor demais, estava me guardando. Agora eu coloco mais minha energia nas músicas. Ainda tem influências de coisas retrô, mas também coisas dançantes. Acho que não tinha tanta coisa para dançar no primeiro. Neste, sim.
G1 – A primeira música do seu primeiro álbum, “Body language”, é uma bossa nova. Você lembra a primeira vez que ouviu uma música com esse ritmo?
Kali Uchis – Sim. Ouvi bossa nova pela primeira vez quando eu tinha uns 13 anos. Acho que foi por acaso. Eu ficava muito caçando músicas novas, tentando descobrir sobre diferentes artistas e gêneros pelo mundo. Eu estava muito empolgada com baile funk Eu sei que vocês ouvem muito aí no Brasil. Não sei se você lembra de uma música chamada “Marina Gasolina”, do Bonde do Rolê.
G1 – Sim, eu ouvia muito também na época.
Kali Uchis – Esse é meu nome do meio, Marina, então era uma das minhas músicas preferidas quando eu era adolescente. Eu estava muito empenhada em descobrir músicas diferentes pelo mundo. Então tropecei na bossa nova. Foi quando Asrud Gilberto apareceu, e eu me apaixonei por ela. Foi minha introdução a bossa nova.
G1 – É interessante, porque bossa nova e baile funk são muito diferentes (risos), e você gostou dos dois.
Kali Uchis – Sim.
G1 – Fãs no Brasil perceberam que você seguiu a Anitta no Instagram.
Kali Uchis – Sim, eu amo ela e a Pabllo Vittar. Eu falei com a Anitta sobre trabalhar com ela. Ela falou que animava. Então eu espero que a gente consiga fazer uma música juntas no futuro. Eu amo artistas brasileiros.
G1 – Sabia que o cara do Bonde do Rolê [Rodrigo Gorky] é produtor da Pabllo?
Kali Uchis – Sim, eu fiquei sabendo disso, legal.
Kali Uchis em imagem de divulgação de seu álbum de estreia
Divulgação
G1- O pop latino cresceu muito, mas parece que às vezes o mercado americano e o europeu esperam certos estereótipos destes artistas. Como se “latino” fosse um gênero musical, e não uma cultura imensa e diversa. Você já sentiu esses limites?
Kali Uchis – Eu sempre fui fã de gêneros muito diferentes. Como falei, eu amo baile funk e também bossa nova. Eu sempre amei perreo e reggaeton [o perreo é uma dança sensual, associada ao reggaeton, mas também citado como um gênero musical dançante].
Mas isso não significa que eu não possa amar soul music e r&b, porque eu cresci principalmente nos EUA. Eu fiquei um tempo na Colômbia também, sempre voltava lá, mas sempre fui multicultural, e tive diferentes casas, dois backgrounds diferentes.
Isso me expôs a diferentes culturas. Quando eu ia para a escola eu encontrava muita gente com histórias diferentes. E a cultura americana está inserida em muitos estilos de músicas populares. Eu cresci amando tudo isso.
“Tem umas duas músicas novas que são de perreo. Acho que é ok gostar das duas coisas. É triste quando as pessoas que gostam do meu estilo ‘retrô’, experimental, soul e R&B, dizem que odeiam reggaeton ou perreo. Eles acham que essa música é sem alma, um lixo. Eu tenho primos que pensam isso, tipo ‘nunca vou escutar reggaetoneros’.”
Tem horas que quero fazer uma música para relaxar e refletir, mas depois quero outras para balançar a bunda e não pensar em nada, só me sentir sexy, ficar bem e dançar. Gosto de poder fazer as duas coisas, sabe?
G1- A revista “Variety” disse que você fez “uma estreia promissora na tela” no filme “Blast beat”. Você esperava isso?
Kali Uchis – Não vi isso! Eu estava muito preocupada. Não sei o quanto você sabe sobre a minha personagem, mas ela tem que ser muito emotiva o tempo todo, porque ela estava triste, o namorado dela estava a deixando.
Foi difícil para mim, porque a situação em que eu estava na vida na época não era emotiva . Eu nem conseguia lembrar a última vez que eu chorei (risos). Não estava com vontade de chorar, e estava preocupada em como ia ficar. Fico feliz que tenha dado certo e as pessoas gostaram.
G1- Você tem planos de continuar atuando, tem convites?
Kali Uchis – Sim. Não posso falar muito agora, mas tenho planos na indústria de cinema, quero entrar mais nisso e estou animada…