Joyce Moreno e Ana Martins se indignam na canção ‘Mães do mundo’ pelas mortes de ‘filhos da periferia’ em operações policiais


♪ Em 18 maio do ano passado, a morte de João Pedro Mattos Pinto (1996 – 2020) – adolescente de 14 anos que foi baleado dentro de casa, quando jogava videogame com amigos, durante operação policial no Complexo do Salgueiro, no município fluminense de São Gonçalo (RJ) – revoltou a cantora e compositora carioca Ana Martins.
A revolta gerou os versos indignados de Mães do mundo, enviados por Ana à mãe, a também cantora e compositora Joyce Moreno.
Nove meses depois, na manhã de 22 de fevereiro deste ano de 2021, história tristemente parecida tirou a vida de outro adolescente negro de 14 anos, Ray Pinto Faria (1996 – 2021), também baleado em operação policial.
Ray brincava na porta de casa, no bairro carioca de Campinho, quando levou dois tiros e morreu em hospital da zona norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Associado à morte de João Pedro pelas mesmas circunstâncias trágicas, o assassinato de Ray indignou Joyce e inspirou a compositora a pôr musica nos versos de Mães do mundo.
Nasceu então a canção Mães do mundo, parceria de mãe e filha, afinadas na indignação e no protesto contra a matança infelizmente já rotineira de crianças e adolescentes inocentes – “Filhos de pobre / Filhos da periferia / Filhos da minoria”, como ressaltam versos da letra de Ana – em operações policiais feitas em comunidades e bairros distantes dos cartões postais da cidade.
Nesta quinta-feira, 19 de maio, Joyce Moreno postou vídeo em rede social em que canta a música Mães do mundo para lembrar o primeiro aniversário da morte ainda impune de João Pedro.
♪ Eis a letra de Mães do mundo, parceria de Joyce Moreno e Ana Martins:
“Até quando
Vão matar nossos filhos?
Porque quando nos tornamos mães
Somos mães do mundo
E vocês seguem com ódio, com ordem, nos tirando
Filhos nossos
Filhos de preto
Filhos de pobre
Filhos da periferia
Filhos da minoria
E os seus filhos em segurança
Na cobertura
Sendo criança
No jardim
Na varanda
Passeando em Angra
De lancha
Na ilha
Num jet ski em Brasília
Deixem nosso país em paz
Nos deixem ter esperança
Deixem nossas crianças sobreviver
Até quando?”