Josyara e Giovani Cidreira se embolam na ruidosa atmosfera musical do álbum ‘Estreite’


Artistas baianos da nova geração se unem em disco produzido por Junix 11. Capa do álbum ‘Estreite’, de Josyara e Giovani Cidreira
Divulgação
Resenha de álbum
Título: Estreite
Artistas: Josyara e Giovani Cidreira
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * 1/2
♪ Pelo planejamento inicial, esse terceiro disco de Josyara – baiana projetada na cena alternativa pelo toque arretado do violão e pela poesia do cancioneiro autoral – seria gravado com Zé Manoel, pernambucano notado nessa mesma cena indie tanto pelo toque preciso do piano quanto pela sofisticação do cancioneiro autoral.
A (boa) ideia era reerguer a ponte que liga a Petrolina (PE) de Zé Manuel ao Juazeiro (BA) de Josyara com o cruzamento de artistas de universos musicais distintos, mas unidos pela contemporaneidade.
Mudança de rota no projeto fonográfico – terceiro título de Joia ao vivo, série de discos feitos em estúdio (ao contrário do que faz supor o nome do projeto da gravadora Joia Moderna) – juntou Josyara com o conterrâneo Giovani Cidreira, cantor e compositor soteropolitano.
Estreite, o álbum decorrente dessa inédita parceria, foi gravado entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020. Disponível somente em edição digital, lançada em 26 de março, o álbum Estreite alinha oito composições inéditas, metade da lavra de Josyara, metade de autoria de Cidreira.
Confiada a Junix 11, a produção musical do álbum Estreite peca por excessos. O uso nem sempre comedido de sintetizadores, baterias eletrônicas, baixos synths e guitarras, por vezes, abafa sutilezas e peculiaridades das músicas dos artistas.
A polifonia encobre o molho e a poesia de Molha (Josyara), por exemplo, e acentua a aspereza de Palma (Giovani Cidreira). Faixas formatadas com maior delicadeza, a canção Anos incríveis (Giovani Cidreira) e a música-título Estreite (Josyara), sobressaem no oscilante repertório justamente por proporcionar um respiro na poluição sonora.
Virá (Josyara) também se destaca ao cuspir fogo em nome da unidade latino-americana com mix de sons orgânicos e sintéticos.
Mesmo presente em seis das oito faixas do álbum, o violão desassossegado de Josyara jamais se impõe com a força do álbum anterior da artista, Mansa fúria (2018). Meninas irmãs pt. 1 e Meninas irmãs pt. 2 – embasadas por baticum eletrônico – resultaram gélidas.
Praticamente solada por Cidreira, com Josyara nos (discretos) vocais, Farol (Giovani Cidreira) ilumina o piano do produtor e multi-instrumentista Junix 11 sem atenuar a sensação de que há excesso de ruídos na confusa atmosfera musical em que Josyara e Gionavai Cidreira se embolam no álbum Estreite.