José Ramos Tinhorão, pesquisador e crítico musical, morre aos 93 anos


Sagaz e polêmico, Tinhorão registrou a história da música popular. Causa da morte não foi divulgada. O jornalista e crítico musical José Ramos Tinhorão concede entrevista em São Paulo, na década de 90
Paulo Pinto/Estadão Conteúdo/Arquivo
José Ramos Tinhorão morreu aos 93 anos nesta terça-feira (3). A informação foi confirmada pela Editora 34, que publicou os últimos livros do pesquisador. A causa da morte não foi divulgada.
Ele foi um dos maiores pesquisadores da música brasileira. Repórter e crítico de música sagaz, suas reportagens ajudam a entender e conceituar o que foi produzido nas últimas décadas.
Exigente e polêmico, Tinhorão teve atritos com a turma da Bossa Nova e da MPB por defender que aquele tipo de música não era realmente brasileiro, segundo ele.
“A Bossa Nova tem ritmo de goteira e é puro jazz pasteurizado”, afirmou o pesquisador em um debate que o G1 participou na Flip de 2015.
Ele também se referiu a Tom Jobim como “um coitado” e disse que a música popular brasileira sempre fracassou no exterior.
O jornalista crítico musical José Ramos Tinhorão, autor do livro “A Música Popular do Romance”, durante entrevista, em São Paulo, em setembro de 2000
Mônica Zarattini/Estadão Conteúdo/Arquivo
Natural de Santos (SP), Tinhorão foi morar no Rio ainda criança e se formou em Direito e Jornalismo. Ele começou a atuar em veículos de comunicação no começo dos anos 50.
Tinhorão era um apelido entre os colegas de redação no Diário Carioca e passou a ser usado quando o chefe de redação, Pompeu de Souza, acrescentou na assinatura da sua primeira matéria publicada.
A partir do convite para escrever uma série sobre samba no Caderno B, suplemento do Jornal do Brasil, Tinhorão começa a pesquisar sobre a música popular em 1960.
Fez entrevistas com Ismael Silva, Donga, Pixinguinha entre outros nomes relevantes da cena musical carioca, mas que não tinham ainda a história registrada. Alguns desses textos estão no livro “Música popular: um tema em debate”, um dos livros de maior sucesso do pesquisador.
Ao longo dos mais de quatro décadas de carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, TV Excelsior, Jornal da Globo, Veja e Pasquim.
No campo da pesquisa, ele escreveu mais de vinte livros sobre música brasileira, como “História Social da Música Popular Brasileira”, “As Origens da Canção Urbana” e “A Música Popular no Romance Brasileiro”.