Jeep vai atrasar novo SUV de 7 lugares, e recorre a antropólogos para entender como será o cliente pós-coronavírus


Novo modelo pode ficar só para 2022. Para o ano que vem ficaram as versões híbridas de Renegade e Compass. Dupla também receberá motores turbo em 2021. A Jeep, marca líder em vendas de SUVs no Brasil, vai deixar seus principais lançamentos para 2021.
Para este ano, além do Wrangler Rubicon, produto de baixo volume que acaba de chegar ao Brasil por R$ 420 mil, a marca tem apenas pequenas atualizações para Renegade e Compass, seus carros chefes.
Mudanças maiores, bem como modelos inéditos, vão demorar um pouco mais do que o previsto para chegar, como reflexo da pandemia do coronavírus, que deixou a maioria das montadoras do Brasil paradas desde meados de março.
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“São, no máximo, 6 meses de atraso”, disse Tania Silvestri, diretora da marca no Brasil. “O ano mais cheio [de lançamentos] vai ser 2021.”
Nessa previsão, estão as versões híbridas de Renegade e Compass, que virão importadas da Itália.
Jeep Renegade híbrido plug-in
Divulgação/FCA
Para as versões que usam somente motor a combustão, produzidas no Brasil, e que estão entre os SUVs mais vendidos, a novidade será a motorização turbo.
O cronograma ainda não foi divulgado, mas os lançamentos vão acontecer ao longo de 2021. Ambos devem trazer o motor 1.3 turbo, que pode entregar 150 cavalos ou 180 cv.
Tania ainda confirmou o lançamento do terceiro veículo Jeep a ser produzido na fábrica pernambucana de Goiana (os outros são, exatamente, Compass e Renegade). Será um SUV com capacidade para levar até 7 passageiros. Mas pode ficar para 2022, segundo a diretora.
Em fevereiro, Antonio Filosa, presidente da FCA, dona da Jeep e da Fiat, disse que este modelo será global, mas com grande parte de desenvolvimento local. Segundo Filosa, ele terá um posicionamento mais voltado para o luxo.
Antropologia
Além do impacto financeiro da crise provocada pela Covid-19, algumas empresas esperam uma outra mudança após o fim da pandemia: de comportamento do consumidor. Para enxergar o futuro, a FCA apostou em pesquisadores, em estudo junto com o Google e agências de publicidade.
“Começamos a trabalhar com antropólogos para entender essas tendências, e saber o que vai ficar e o que vai ser diferente daqui pra frente”, disse a diretora da Jeep. “Estamos falando não só de venda digital, mas também do comportamento do homem na sociedade e em relação ao nosso negócio.”
A montadora não é a única que prevê mudanças. A Volkswagen já falou que a crise vai acelerar comportamentos que já estavam começando, como concessionárias menores e carros por assinatura.
Na FCA, o grupo formado por pesquisadores quer identificar se hábitos simples de antes da pandemia, como reunir apaixonados por carros, por exemplo, serão mantidos.
“Na hora em que abrir, o consumidor vai querer continuar andando em grupo ou vai ser mais restritivo? Vai ser mais conectado com a natureza? Se for, vai ser bom para nós”, afirmou a diretora, lembrando o gosto do cliente da Jeep por trilhas.
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Divulgação
A equipe começou a trabalhar na última semana, então ainda não há resultados concretos.
Objetivo é manter participação
O comportamento do cliente é bem menos previsível do que o que pode acontecer com as vendas.
A associação das montadoras, a Anfavea, ainda não refez a projeção divulgada antes da pandemia, mas montadoras já falam em “tombo” de 40% para o setor – estimativa do presidente da FCA, Antonio Filosa.
“A indústria em abril deve ser 20% do que estava planejado, com cerca de 40 mil emplacamentos. Para maio, a queda deve ser de 60%. E, em junho, de 40%”, disse Tania.
A Jeep não informou a expectativa de vendas, como marca, para 2020. “Nossa meta é ser ágil e rápido, para que, dentro desse contexto de baixo volume, a gente venda mais do que o concorrente.
“A meta é participação dentro do segmento. O mínimo é manter, mas queremos crescer”, disse a executiva.
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Marcelo Brandt/G1