Jadsa foca a Bahia natal além dos estereótipos em ‘Olho de vidro’, álbum feito em São Paulo


♪ Com assumida influência da obra vanguardista do compositor paulista Itamar Assumpção (1949 – 2003), a baiana Jadsa foca uma Bahia contemporânea, eventualmente noise, indo além do cartões-postais e dos estereótipos da música da terra natal no recém-lançado primeiro álbum da artista de 26 anos, Olho de vidro.
É na fronteira entre Bahia e Sâo Paulo – onde, entre 2018 e 2019, Jadsa deu forma ao disco posto no mundo neste ano de 2021, precisamente em 26 de março, via Balaclava Records – que a cantora, compositora e guitarrista se situa ao longo das 14 músicas do álbum, cuja edição foi antecedida pelos singles A ginga do nego, Raio de sol e Lian.
A propósito, Lian é tributo de Jadsa à colega Luiza Lian, convidada da faixa. Já Raio de sol flerta com o samba do Recôncavo Baiano em gravação feita por Jadsa com as adesões de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci.
Contudo, o som de Jadsa no álbum Olho de vidro soa inclassificável pela fusão de elementos de samba, rock, trip hop, reggae e vanguarda paulista – mistura deglutida entre percussões tribais e beats eletrônicos.
Esse mix pop contemporâneo é encorpado com os golpes do violão de Josyara, instrumentista e intérprete convidada de Run, baby, música composta por Jadsa ainda em Salvador (BA), à beira da partida para São Paulo.
Produzido por João Meirelles, o álbum Olho de vibro soa inquieto na fricção de músicas como Power, Selva e Sem edição.
Capa do álbum ‘Olho de vidro’, de Jadsa
João Meirelles / Divulgação