Israel testa volta às aulas durante pandemia de novo coronavírus


País reabre escolas com planejamento minucioso que envolve rodízio de turmas e distanciamento de alunos nas salas e no recreio. Israelenses celebram Dia da Independência de Israel nesta terça-feira (28) em Ashkelon
Amir Cohen/Reuters
Reabrir a economia no pós-pandemia requer também ter um plano para a volta às aulas. Em Israel, onde a maioria dos pais de alunos trabalha em período integral, o governo determinou que as escolas reabrirão no próximo domingo. Com máscaras, distanciamento nas salas de aula e no recreio e crianças proibidas de dividir o lanche.
O retorno às escolas fechadas desde 12 de março, contudo, não será para todos. Os mais novos, de creches e jardins de infância, frequentarão a escola somente três dias por semana porque cada turma será dividida pela metade. Da 1ª à 3ª séries, os alunos têm aulas diárias, mas com limite 15 alunos por turma.
A partir da 4ª série, o ensino será remoto. Com esse planejamento de reabertura gradual, o governo vai gastar US$ 737 milhões por semana para que um dos pais fique em casa, sem trabalhar, e cuide dos filhos que estão no sistema de rodízio ou no de teleconferência.
Durante a pandemia, o país de 8,8 milhões de habitantes enfrentou um dos bloqueios mais rigorosos para evitar o contágio, que se alastrou, sobretudo nas comunidades de ultraortodoxos. Na fase mais severa da quarentena, os moradores só tinham autorização para se afastar 100 metros de casa. O novo coronavírus foi registrado em 15.580 pessoas; 208 morreram.
Mulher usa máscara ao caminhar em rua de Jerusalém em 21 de abril
Ammar Awad/Reuters
Quando a doença se estabilizou a uma média de 300 infectados por dia, o premiê Benjamin Netanyahu decidiu que era o momento de suavizar as restrições. Neste domingo, o comércio de rua voltou a funcionar.
O plano do governo para reabrir escolas, contudo, não tem consenso no governo, formado, após um impasse político de um ano, em uma coalizão entre Netanyahu e seu principal adversário político, o ex-general Benny Gantz. O retorno às aulas foi considerado prematuro.
“O restabelecimento do sistema educacional custará vidas humanas. Não é hora de baixar a guarda”, advertiu Itamar Grotto, vice-diretor do Ministério da Saúde.
Infectologistas alertam que o vírus pode se disseminar entre as crianças, que, embora assintomáticas, são agentes para contaminar, professores, pais e avós. Com a retomada do ano letivo, os idosos se tornariam ainda mais vulneráveis.
Pressionado, o governo responde com novos parâmetros para enfrentar a doença e evitar um segundo surto: testes sistemáticos e um teto de até 300 casos por dia. Se o limite for ultrapassado, significa que o teste fracassou.
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