Implante subcutâneo e vacina serão novas ferramentas para evitar HIV

Vacina que preveni o HIV poderá estar disponível em quatro anos

Vacina que preveni o HIV poderá estar disponível em quatro anos
Pixabay

Um implante subcutâneo utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP) e uma vacina que pode estar disponível nos próximos anos são as novas ferramentas esperadas para a prevenção do contágio pelo vírus HIV, que afeta 40 milhões de pessoas no mundo e é o causador da Aids.

Durante a 10ª Conferência Mundial Científica sobre HIV (IAS 2019) na Cidade do México, especialistas afirmaram na terça-feira (23) que essas novas ferramentas estão sendo desenvolvidas para incrementar as estratégias existentes até agora para evitar o contágio pelo vírus.

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De acordo com Brenda Crabtree, cientista e presidente local da cúpula, o implante é uma das novidades mais importantes.

“Seu uso será para PrEP, para que a população tenha maior adesão ao tratamento do que aqueles que o fazem através da ingestão de comprimidos”, afirmou Brenda.

Randolph P. Matthews, cientista principal da empresa MSD, que está desenvolvendo o implante, apresentou os resultados de um pequeno estudo que provou a eficácia do uso por humanos.

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Matthews disse que participaram da pesquisa 16 adultos saudáveis, sendo que 12 utilizaram o implante por 12 semanas, alguns receberam doses de 54 miligramas e outros de 62 miligramas de um medicamento chamado islatravir, enquanto outras quatro pessoas utilizaram implantes com placebos.

O estudo revelou que o implante foi bem tolerado e que as doses inseridas nele podiam durar pelo menos oito meses na dosagem mais baixa e um ano na de maior concentração.

“Ficou comprovado que seu uso é seguro e a duração da intervenção com implante é de um ano”, afirmou Brenda.

Outra inovação no tratamento é a vacina, que começará uma nova fase de estudos em setembro, depois de ter sido testada com sucesso em um grupo muito pequeno de mulheres no sul da África.

Hanneke Schuitemaker, chefe global de vacinas virais na companhia farmacêutica Janssen, disse à Agência Efe que embora existam métodos de prevenção atualmente, como a PrEP, os preservativos e as práticas sexuais seguras, “a vacina se une a eles para proteger as pessoas, e isso fará uma grande diferença”.

A especialista afirmou que a Janssen está trabalhando junto com outras instituições de saúde no estudo chamado Mosaico, que será realizado em 3.800 pessoas provenientes das Américas e da Europa, todas elas saudáveis.

A vacina terá combinações do vírus com a finalidade de produzir anticorpos que atuem contra o mesmo e seja eficaz para diversas cepas do vírus.

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“Sabemos de outras vacinas que não funcionaram porque o vírus HIV é muito complexo e existem muitas variáveis circulando, então não podemos prever que teremos proteção contra todas essas variáveis”, afirmou Hanneke.

No entanto, a especialista relatou que os resultados do estudo na África do Sul, chamado Approach, poderiam estar prontos em 2021, enquanto os do Mosaico estariam disponíveis em 2023, por isso uma vacina contra o HIV pode estar disponível em quatro anos.

“Trabalharemos muito duro para garantir que funcione e que todas as pessoas tenham acesso à vacina”, afirmou o especialista.

No evento, a médica Valdiléa Veloso apresentou um estudo para a implementação da Profilaxia Pré-Exposição (ImPrEP) realizado na América Latina no qual foi analisada a segurança e os benefícios de se oferecer acesso à PrEP para homens que têm relações homossexuais no Brasil, no México e no Peru, já que este é o grupo que representa a maioria das novas infecções por HIV na América Latina.

Nesse estudo, os homens que têm sexo com homens e mulheres transgênero foram avaliados e, se eram elegíveis, inscreviam-se no mesmo dia e recebiam PrEP para 30 dias.

O estudo revelou que a maioria de quem receberam a medicação continuaram tomando-a nos primeiros 120 dias e um alto percentual deles aderiu aos tratamentos.

No entanto, Veloso lamentou que este tipo de ferramenta ainda tenha uma presença muito baixa na região, e garantiu que existem desafios nesse sentido.

“O grande desafio é observar as pessoas que usam a PrEP como método de prevenção, já que mudam seus comportamentos, mudam de parceiro, alguns têm muitos parceiros ou decidem deixar de usar o tratamento se expondo outra vez”, afirmou Veloso durante a cúpula na qual participam especialistas de 160 países.

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