Hyundai HB20X: primeiras impressões


Versão com visual aventureiro deixa de fora o motor 1.0 turbo, melhor característica do compacto. Itens de segurança são diferencial, mas desenho e preço jogam contra. Hyundai HB20X
André Paixão/G1
Dirigir o Hyundai HB20X com visual novo e motor 1.6 antigo mostra que a decisão da Hyundai de abrir mão do 1.0 turbo para essa versão foi errada.
A montadora alegou, na época, que tinha receio de o público não aceitar a mudança. Mas, ao guiar o “aventureiro” depois de experimentar os carros da família com o novo motor, fica difícil acreditar que o consumidor rejeitaria essa mudança.
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Motor 1.6 16V é a única opção para o Hyundai HB20X
André Paixão/G1
O HB20X traz tudo que o novo HB20 oferece. Isso inclui o visual de gosto duvidoso, mas também os itens de segurança exclusivos no segmento, como alerta de mudança de faixa e frenagem automática são importantes.
Mas deixou de fora a melhor característica do veículo.
É preciso dizer que o motor 1.6 de 130 cv e 16,5 kgfm vai bem na carroceria de pouco menos de 1.100 kg. Só que ele não é tão bom quanto o 1.0 turbo de 120 cv e 17,5 kgfm.
Tabela de concorrentes do Hyundai HB20X
Fotos: André Paixão/G1 e divulgação
Nos números, as diferenças não são tão perceptíveis. De acordo com dados de fábrica, o HB20X acelera de 0 a 100 km/h apenas 0,2 segundo mais lento, em 10,9 segundos, quando abastecido com etanol. A velocidade máxima também é levemente mais baixa, de 186 km/h, 4 a menos do que no hatch com motor turbo.
Ainda que a potência seja 10 cv mais baixa, o “segredo” do 1.0 turbo é a melhor distribuição do torque. Os 17,5 kgfm são entregues em rotações mais baixas, logo a 1.500 rpm. No 1.6 aspirado do HB20X, os 16,5 kgfm só estão disponíveis nas 4.500 rpm.
Isso pode ser notado facilmente quando se está ao volante dos dois modelos. O aventureiro demonstra menos fôlego nas arrancadas, e demora mais para ganhar velocidade.
Só que, além de andar menos, o HB20X consome mais combustível, como mostra a tabela abaixo.
Consumo dos motores 1.0 turbo e 1.6
A relação entre motor e câmbio é correta – mas, novamente, o casamento do motor turbo com a transmissão automática de 6 marchas é melhor na versão turbinada do HB20.
Aventureiro de sítio
A suspensão mais alta deixou o HB20X mais duro do que o “irmão”. Mas isso não chega a incomodar. Voltando aos números, a carroceria é 7 cm mais alta, e a altura em relação ao solo, de 21,1 cm, é 5 cm maior do que no hatch.
Hyundai HB20X
André Paixão/G1
Já as rodas, de 16 polegadas, “vestem” pneus de uso misto Michelin LTX Force. O conjunto se mostra ideal para encarar a buraqueira das ruas, ou estradas de terra que dão acesso ao sítio que o dono do HB20X vai aos finais de semana.
A direção, mesmo em pisos de pouca aderência, se mostra bastante direta – e isso vale também para os outros modelos da linha.
Hyundai HB20X
André Paixão/G1
No fim, é difícil aceitar um desempenho pior quando se pode ter melhor rendimento com um motor mais moderno.
Ainda mais quando o preço do HB20X topo de linha, Diamond Plus, R$ 77.990, é exatamente o mesmo do HB20 turbo mais completo sem a roupa “aventureira”.
Hyundai HB20X
André Paixão/G1
Controvérsia visual
Falando na vestimenta diferente, o HB20X também tem sua dose de polêmica visual. Ela está nos apliques plásticos das caixas de roda.
No caso da peça traseira, há um recorte irregular logo acima da base da porta. Alguém que tenha transtorno obsessivo compulsivo, o famoso TOC, certamente vai se incomodar.
Fora isso, a grade larga, dianteira “apontando” para baixo e lanternas com formato pouco convencional completam o conjunto polêmico.
Apliques plásticos nas laterais do Hyundai HB20X não são uniformes
André Paixão/G1
Se a carroceria não agrada a todos, a cabine é um ponto positivo, com desenho bastante contemporâneo, materiais de qualidade e montagem bem-feita.
Na versão Diamond Plus, testada pelo G1, o marrom do HB20 e o cinza do HB20S dão lugar ao tradicional preto nos painéis, conferindo um tom mais sóbrio à cabine. A ousadia fica por conta de detalhes em laranja nas saídas de ventilação laterais e costura dos bancos, revestidos de couro.
Recheio é bom
Como dito acima, o pacote do HB20X mais completo é exatamente o mesmo das demais versões.
Interior do Hyundai HB20X
Divulgação
E, além dos recursos de segurança, há acesso e partida por chave presencial, start-stop, direção elétrica, sensor de ré com câmera, central multimídia de 8 polegadas, acendimento automático dos faróis, 4 airbags e controle de velocidade de cruzeiro.
Apesar de a Hyundai afirmar que o modelo tem ar-condicionado digital, apenas os mostradores são digitais. Não há função automática ou regulagem de temperatura escalonada em graus.
Mercado em alta
Hyundai HB20X
André Paixão/G1
Mesmo com alguns deslizes, o HB20X ocupa uma posição confortável em seu segmento. Isso porque, seu grande rival, em teoria, não existe mais. A Chevrolet não lançou um equivalente ao Onix Activ. Desta forma, os principais rivais do Hyundai devem ser Ford Ka FreeStyle, Fiat Argo Trekking e Renault Sandero Stepway.
Todos são mais baratos. Porém, menos equipados. Veja uma comparação rápida com dada um dos concorrentes:
Ka FreeStyle
Ford Ka FreeStyle
Marcelo Brandt/G1
HB20X é melhor:
espaço interno
itens de série
HB20X é pior:
preço
conjunto mecânico
Fiat Argo Trekking
Fiat Argo 1.3 Trekking
Divulgação/Fiat
HB20X é melhor:
itens de série
consumo
HB20X é pior:
design
preço
Renault Sandero Stepway
Renault Sandero Stepway
Divulgação
HB20X é melhor:
itens de série
conjunto mecânico
HB20X é pior:
espaço
preço
Conclusão
O visual do HB20 já foi amplamente discutido, e alvo de críticas por parte de clientes e imprensa. De fato, o desenho é controverso, e nem os apliques plásticos deixaram o resultado mais amigável.
Para piorar, a Hyundai ainda errou ao não colocar o motor turbo na versão aventureira, X. É como se a melhor coisa dessa grande mudança tivesse sido suprimida.
Hyundai HB20X
André Paixão/G1
A grande sorte dele é que seus grandes rivais são menos equipados.
Só que isso pode mudar já nos próximos meses, com a chegada de dois concorrentes indiretos.
Um deles é a nova geração do Renault Duster, que traz um salto em qualidade, sem grandes aumentos na tabela – a versão automática mais barata custa praticamente o mesmo que o HB20X, R$ 77.790.
O segundo é o Volkswagen Nivus, ou o “SUV do Polo”, como está sendo chamado. Esse sim, terá motor turbo, além da promessa de conectividade sem igual. O modelo já foi flagrado em testes, e chega até o meio do ano.