Governo do Estado avalia mudança do nome do Morro do Diabo para Parque Estadual Onça-Pintada


Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Regional, não há ainda uma data para oficializar a alteração, que está sendo debatida pelas áreas técnicas. Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Fundação Florestal
O governo do Estado de São Paulo avalia a possibilidade de trocar o nome do Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), para Parque Estadual Onça-Pintada.
De acordo com as informações repassadas ao G1 pela Secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, a proposta de alteração na denominação do parque está entre as ações do Programa de Desenvolvimento da Região do Pontal do Paranapanema, o Pontal 2030, que foi oficialmente lançado nesta terça-feira (9).
No entanto, segundo a pasta estadual, a ideia está sendo debatida pelas áreas técnicas do Governo de São Paulo e demais órgãos correlatos.
“Desta forma, não há ainda uma data para oficializar esta alteração”, esclareceu a secretaria.
“Entre as ações que abarca o Programa de Desenvolvimento da Região do Pontal do Paranapanema – Pontal 2030, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, existe a proposta de substituir o nome Parque Estadual Morro do Diabo por Parque Estadual Onça-Pintada. A ideia está sendo debatida pelas áreas técnicas do Governo de São Paulo e demais órgãos correlatos. Desta forma, não há ainda uma data para oficializar esta alteração”, informou a pasta estadual em nota ao G1.
O G1 perguntou à Secretaria de Desenvolvimento Regional qual a justificativa para a denominação de “Onça-Pintada”, mas a pasta respondeu apenas que “a ideia está sendo debatida pelas áreas técnicas do Governo de São Paulo”.
O felino já foi visto no Morro do Diabo. O animal é considerado o maior felino do continente americano e o terceiro maior do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. A Fundação Florestal, que administra o parque, estima a existência de 15 a 20 onças-pintadas no local, uma população considerada pequena para uma espécie que é “extremamente ameaçada de extinção”.
Em janeiro do ano passado, dois vigilantes que trabalhavam na segurança do Morro do Diabo flagraram uma onça-pintada às margens do Rio Paranapanema, que fica na divisa entre os estados de São Paulo e do Paraná (veja os vídeos abaixo).
Vigilantes do Morro do Diabo registraram onça-pintada durante ronda no Rio Paranapanema
De acordo com o parque, o registro das imagens foi feito durante uma ronda de fiscalização, no período diurno, através de celulares, pelos vigilantes Ricardo Costa Ducovschi e Reginaldo Duarte dos Santos, que estavam em uma embarcação, no meio do rio.
Vigilantes do Morro do Diabo registraram onça-pintada durante ronda no Rio Paranapanema
A respeito da importância do Morro do Diabo para a preservação da espécie, o biólogo Edson Montilha ressaltou que o local é um “oásis”.
“O parque é um oásis na região oeste do Estado de São Paulo. Trata-se de uma área protegida de aproximadamente 34 mil hectares de Mata Atlântica de interior, é o maior contínuo florestal do interior. Além do fornecimento de habitat para a existência da onça-pintada, outros tantos animais importantes encontram abrigo no Morro, como o mico-leão-preto, espécie ameaçada e animal símbolo do Estado. Para que estas áreas continuem a existir com toda esta riqueza, a presença de predadores de topo de cadeia é fundamental para manter o equilíbrio e dinâmica das populações, incluindo aqueles que são plantadores de floresta, como a anta, primatas e outros animais”, explicou.
O Parque Estadual Morro do Diabo está localizado no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, e ocupa uma área de 33.845,330 hectares.
De acordo com as informações da Fundação Florestal, que é o órgão gestor do parque, existem lendas que tentam explicar a razão de seu nome. Uma lenda diz que índios revoltados com bandeirantes que teriam dizimado sua aldeia os mataram em uma emboscada. Aqueles que fugiram da carnificina diziam que o diabo estava no morro.
O parque preserva a maior área contínua remanescente da floresta que recobria a porção ocidental do Estado. Essa vegetação corresponde à floresta tropical estacional semidecidual, do domínio da Mata Atlântica.
A flora local apresenta algumas peculiaridades: uma mancha de cerrado imersa na floresta e a presença de populações de duas espécies de cactáceas: mandacaru e xique-xique, que dão à vegetação um aspecto de caatinga.
A fauna conta com o raro mico-leão-preto, uma espécie endêmica da Mata Atlântica, símbolo do parque e um dos primatas mais ameaçados do mundo. Mais duas espécies de primatas também ocorrem na área: o bugio e o macaco-prego.
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Fundação Florestal
O Morro do Diabo é uma formação geológica que se destaca no cenário de aspecto predominantemente plano do extremo Oeste Paulista.
Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, há evidências de que aquela região já foi, muitos milhões de anos atrás, um imenso deserto, o Deserto Caiuá. Com o tempo, esse deserto foi sendo esculpido por meio de processos erosivos ocasionados pelo vento e pela chuva.
O local onde hoje se evidencia o morro resistiu à erosão por ser formado por um material mais resistente que o do seu antigo entorno. Assim, pode-se dizer que as feições inconfundíveis do Morro do Diabo se devem ao fato de ele ser formado por arenitos endurecidos (silicificados), que hoje mantêm o seu topo cerca de 600 metros acima do nível do mar, enquanto outros pontos com menos altitude dentro do parque ficam a 280 metros do nível do mar.
A reserva do Morro do Diabo foi criada em 1941 e tornou-se parque em 1986. A área abriga uma das últimas reservas de floresta de planalto do país e é uma das áreas-núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira.
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Vigilantes do Morro do Diabo registram imagens de onça-pintada durante ronda no Rio Paranapanema; veja VÍDEOS
‘Extremamente ameaçada de extinção’, onça-pintada encontra no Morro do Diabo um ambiente protegido para a preservação da espécie
O parque e sua vizinha Estação Ecológica Mico-Leão-Preto somam mais de 40 mil hectares de área preservada de floresta tropical estacional semidecidual. Esse tipo de floresta cobria originalmente parte dos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
No Morro do Diabo, estão protegidas diversas espécies de flora e fauna, incluindo o mico-leão-preto, uma das espécies de primatas mais ameaçadas do mundo e que foi considerada extinta por 65 anos. Hoje, ela é considerada uma espécie-símbolo da luta pela conservação da biodiversidade. Além dela, podem ser encontradas outras espécies ameaçadas de extinção, como a anta, o queixada, o bugio, a puma e a onça-pintada. O parque é também a maior reserva de peroba-rosa do mundo. Essa espécie de árvore é importante para trabalhos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Fundação Florestal
Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, diversas trilhas levam o visitante a conhecer melhor o espaço e observar a vida selvagem.
A trilha do Morro do Diabo leva ao topo do morro, de onde se tem uma vista panorâmica do parque, das pastagens, dos assentamentos rurais que ficam no entorno e do Rio Paranapanema. Leva-se, em média, três horas para percorrer os 2,5 quilômetros do passeio.
A trilha Pedro Bill segue margeando o Rio Paranapanema e é uma opção para observação da fauna e de habitats aquáticos. São dois quilômetros de caminhada. O nome da trilha é uma homenagem a um antigo guarda-parque da unidade.
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Fundação Florestal
A trilha da Lagoa Verde tem 500 metros de caminhada e, ao longo do percurso, placas interpretativas expõem o ciclo da água e de nutrientes no ecossistema. Uma ponte pênsil cruza um lago que, coberto com uma planta aquática do gênero Azzolla, lembra um tapete verde. Essa trilha é acessível e pode ser percorrida inclusive por cadeirantes.
A trilha Ferrovia-Angelim, de 40 quilômetros, só é aberta para pesquisadores e é necessário agendamento prévio. Ela leva ao interior da unidade, por meio de uma estrada rústica contígua a uma antiga linha ferroviária desativada, o chamado Ramal de Dourados da Estrada de Ferro Sorocabana. O trecho vai até o Rio Paranapanema, local do antigo Porto Angelim, onde as balsas atravessavam para o lado paranaense.
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Fundação Florestal
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Fundação Florestal
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
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