‘Godzilla vs. Kong’ oferece pancadaria gigantesca em história sem cérebro; G1 já viu


Confronto dos monstros clássicos do cinema começa a ter sessões antecipadas nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29). Existem filmes ruins, e existem aqueles que são tão ruins que ficam bons. “Godzilla vs. Kong” passa por essas duas etapas, e ainda consegue dar mais umas duas voltas até que, no final, sobra apenas a dúvida se a diversão da pancadaria entre as criaturas gigantes supera a burrice sem tamanho do fiapo de roteiro.
Quem só procura ação desenfreada e sem cérebro com dois dos maiores monstros da história do cinema vai ficar feliz.
O filme – cuja estreia está prevista para o dia 6 de maio, mas que começa a oferecer sessões antecipadas nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) – tem tudo o que se espera de um confronto da dupla.
Mas é preciso desligar qualquer esperança de sentido na história, que se afasta de vez de seus personagens humanos e que sofre nos momentos em que tenta dar qualquer explicação minimamente científica para o que está acontecendo na tela.
Assista ao trailer de ‘Godzilla vs. Kong’
Só pode haver um
“Godzilla vs. Kong” é o quarto filme da franquia MonsterVerse, iniciada em 2014 com “Godzilla”, que conta ainda com “Kong: A ilha da caveira” (2017) e “Godzilla 2: Rei dos monstros”.
Depois de um ataque aparentemente sem provocação do lagarto gigante considerado até então salvador da humanidade, uma corporação obviamente sinistra recruta o primata colossal em uma tentativa de achar alguma nova forma de defesa.
Nada faz muito sentido no roteiro escrito por cinco pessoas. O que importa é que isso coloca as duas criaturas em disputa para saber quem é, afinal, o maior predador do planeta – e coitadas das cidades que ficarem em seus caminhos.
‘Godzilla vs. Kong’ coloca os dois monstros para brigar
Divulgação
Deixe-os lutar
Apesar de herdar alguns dos protagonistas de seus antecessores, como os personagens de Kyle Chandler (“O céu da meia-noite”) e Millie Bobby Brown (“Stranger things”), a história não faz muita questão de usá-los.
Uma decisão acertada, já que a grande força do filme está mesmo nos confrontos entre Godzilla e Kong.
Alguns podem até sentir falta dos tempos em que o lagarto era um homem fantasiado destruindo uma maquete e o primata, uma animação em stop motion, mas é difícil encontrar falhas nos titãs construídos pelo computador.
Cada encontro segue uma linha narrativa bem estabelecida, e foge da desordem que se esperaria de um combate entre duas criaturas selvagens.
Ironicamente, o mesmo não pode ser dito dos momentos nos quais o filme tenta introduzir outros elementos à trama, como uma viagem ao ponto de origem dos gigantes ou a tecnologia por trás da corporação misteriosa.
Quanto mais explica o que está acontecendo com uma pseudociência vergonhosa, mais “Godzilla vs. Kong” provoca a paciência do público.
Regras importantíssimas como a inversão de gravidade em certo ponto do núcleo do planeta são esquecidas minutos depois, cientistas isolados se tornam pilotos de máquinas avançadas e adolescentes invadem laboratórios secretos sem qualquer preocupação com lógica ou sentido.
Mas talvez seja querer demais mesmo em um filme sobre monstros gigantes bonzinhos se estapeando pela supremacia.