Gloria Groove e Johnny Hooker levantam a bandeira da liberdade sexual em show no Rio



As cores do arco-íris deram o tom festivo e engajado da apresentação dos artistas na praia de Ipanema. Resenha de show
Título: Gloria Groove e Johnny Hooker
Artista: Gloria Groove e Johnny Hooker
Local: Praia de Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de fevereiro de 2020
Cotação: * * * 1/2
♪ “Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”, bradaram Gloria Groove e Johnny Hooker, em alto e bom som, unindo vozes em nome da diversidade sexual e da liberdade no encerramento do show apresentado pelos cantores no fim da tarde de sábado, 1º de fevereiro, na praia de Ipanema, dentro da programação do evento Verão Tim.
No arremate do show, o grito de resistência veio por meio dos versos de Flutua (Johhny Hooker, 2017), baladão de pegada soul que prega a liberdade, tendo sido lançado há três anos no segundo álbum de Hooker, Coração (2017), em gravação feita pelo cantor pernambucano com Liniker.
As cores do arco-íris – vistas tanto na marca da empresa patrocinadora do show como na bandeira estendida em meio ao público que se acomodou na areia sob a pluralidade da sigla LGBTQIA+ – deram o tom engajado e necessariamente panfletário do show. Tom já sinalizado pela configuração do elenco da apresentação.
O palco armado no Posto 10, na charmosa orla do bairro carioca, foi ocupado por drag queen cantora e por cantor assumidamente gay, em sintonia com a evolução de indústria que já investe em artistas que se posicionam sem hipocrisia fora dos padrões sexuais dominantes.
Johnny Hooker e Gloria Groove cantam ‘Dancin’ days’ em show no Rio
Manu Mendes / Divulgação Verão Tim
Houve duetos no início, no meio – com abordagem de Dancin’ days (Ruban e Nelson Motta, 1978) em número que reverenciou o arranjo da gravação dessa festiva música por Lulu Santos em 1996 – e no fim da apresentação. Mas cada artista marcou o próprio espaço no palco.
Com empatia e voz calorosa, Gloria Groove animou o público, mantendo o pique em roteiro que incluiu música do recente EP Alegoria (2019), sucesso da funkeira Lexa e composições mais antigas do repertório de Groove, caso do funk Coisa boa (2019), parceria da cantora com o trio formado por Pablo Bispo, Ruxell e Sergio Santos.
Hooker nem sempre manteve o pique no set individual do cantor. Com o canto esganiçado posto a serviço de repertório autoral, Hooker caiu no samba Caetano Veloso (2017) sem a ginga baiana e alcançou picos de sedução com canções assumidamente bregas como Amor marginal (2012), Volta (2013) – elevada na voz de Fafá de Belém em gravação de 2015 – e sobretudo Alma sebosa (2014).
Entre bregas e funks, Gloria Groove e Johnny Hooker pontuaram com falas o caráter político de show que hasteou literal e metaforicamente a bandeira da liberdade na praia de Ipanema.
Johnny Hooker se dirige ao público que se aglomera na praia de Ipanema, em show no Rio
Manu Mendes / Divulgação Verão Tim