‘Gerações futuras não vão nos perdoar se falharmos’, diz Boris Johnson na abertura da COP26


O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou em discurso de abertura que o futuro não vai perdoar essa geração de líderes se o encontro fracassar. Boris Johnson, do Reino Unido, na abertura da COP26 em Glasgow, em 1º de novembro de 2021
Paul Ellis / AFP
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, abriu nesta segunda-feira (1º) a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) que é crucial para se evitar os efeitos mais desastrosos da mudança climática, um desafio agravado pela incapacidade das grande nações industrializadas de concordar com compromissos mais ambiciosos.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26) deve marcar o começo do fim, e o que “gerações futuras não vão nos perdoar se falharmos”. No seu discurso, ele deu ênfase à responsabilidade da iniciativa privada para diminuir a emissão de gases que contribuem para o efeito estufa.
A tarefa, segundo ele, é envolver o mercado na “descarbonização”.
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Sem prazo
O encontro na cidade escocesa de Glasgow começa um dia depois de os líderes do G20 se esquivarem de assumir a meta de encerrar as emissões de carbono até 2050, um prazo citado amplamente como necessário para evitar um aquecimento global mais extremo.
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Ao invés disso, as conversas em Roma reconheceram a “relevância essencial” de ser deter as emissões “até ou aproximadamente em meados do século”, sem estabelecer um cronograma de eliminação gradual do uso de carvão e diluindo as promessas de corte de emissões de metano, um gás de efeito estufa muito mais poderoso do que o dióxido de carbono.
A ativista sueca Greta Thunberg pediu aos seus milhões de seguidores que assinem uma carta aberta acusando os líderes de traição.
“Como cidadãos de todo o planeta, pedimos que vocês se mostrem à altura da emergência climática”, tuitou ela. “Não no ano que vem. Não no mês que vem. Agora.”
Muitos destes líderes subirão ao palco de Glasgow nesta segunda-feira para defender seus desempenhos, e em alguns casos fazer novas promessas, no início das duas semanas de negociações que o anfitrião Reino Unido está propagandeando como tudo ou nada.
“A humanidade já esgotou seu tempo contra a mudança climática. Estamos a um minuto da meia-noite e precisamos agir agora”, dirá o premiê britânico, Boris Johnson, na cerimônia de abertura, de acordo com trechos adiantados de seu discurso.
“Se não formos sérios a respeito da mudança climática hoje, será tarde demais para nossos filhos fazê-lo amanhã.”
A discórdia entre alguns dos maiores emissores do mundo sobre como reduzir o uso de carvão, petróleo e gás e ajudar países mais pobres a se adaptarem ao aquecimento global não tornará a tarefa mais fácil.
No G20, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, destacou a China e a Rússia –cujos líderes não foram a Glasgow– por não apresentarem propostas.
O presidente chinês, Xi Jinping, cujo país é de longe o maior emissor de gases de efeito estufa, falará à COP26 por meio de um comunicado por escrito nesta segunda-feira, e seu colega russo, Vladimir Putin, que preside um dos três maiores produtores mundiais de petróleo, desistiu de participar por videoconferência.
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