‘Free Guy’ surpreende ao misturar games, tiros e romance com profundidade e leveza; G1 já viu


No filme que estreia na próxima quinta-feira (19) no Brasil, Ryan Reynolds interpreta homem comum que descobre ser o personagem menor de jogo de ação. Ao estrear nos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (19), “Free Guy – Assumindo o controle” se torna uma das maiores surpresas positivas da temporada de grandes lançamentos de Hollywood.
O filme estrelado por Ryan Reynolds (“Deapool”), uma mistura de games e ação, usa de profundidade e leveza para superar:
uma produção confusa, marcada pela aquisição dos estúdios da Fox pela Disney no meio do desenvolvimento;
inúmeros adiamentos provocados pela pandemia de Covid-19;
a infame maldição de filmes sobre games;
o reencontro da malfadada dupla de “Lanterna Verde” (2011): Reynolds e Taika Waititi;
e aventuras para toda a família dirigidas por Shawn Levy, responsável pela trilogia “Uma noite no museu”, é verdade, mas também “Gigantes de aço” (2011).
Trailer de ‘Free guy’
Apenas mais um cara
Em “Free Guy”, Reynolds interpreta Guy, um sujeito comum, com um trabalho entediante em uma rotina mundana, que descobre ser, na verdade, o personagem menor de um grande game online de tiros, crimes e ação.
Determinado a se tornar um herói altruísta depois de conhecer a jogadora interpretada por Jodie Comer (“Killing Eve”), Guy evolui pacientemente para provar seu valor.
Com isso, se torna um fenômeno viral em um mundo viciado em transmissões de jogos – sem saber que seu sucesso pode ser a diferença entre sua própria existência e o fim de tudo o que conhece.
Além de Guy
É impressionante, mas a história aparentemente simples consegue ir além do óbvio ao misturar games (em especial o mundo digital criado pelo sucesso de “GTA V”) e referências da indústria bilionária e da cultura pop com motivações mais profundas e pessoais.
A atmosfera emprestada de aventuras do anos 1980, evidente da escalação de Joe Keery (“Strangers things”) como um dos personagens principais, se mistura de forma surpreendente com os sentimentos criados em filmes ricos em metalinguagem como “O show de Truman” (1998).
E pelo jeito isso acontece até para os criadores, que citam mais “De volta para o futuro” (1985) como grande referência.
Enquanto o protagonista batalha por sua própria sobrevivência, se torna cada vez mais difícil a comparação com o filme estrelado por Jim Carrey – e seu grande confronto final no mar enquanto tudo o que o herói conhece é destruído.
Ryan Reynolds e Lil Rel Howery em cena de ‘Free Guy – Assumindo o controle’
Divulgação
Tudo acontece por um motivo
Talvez o mais impressionante em “Free Guy” é que o roteiro assinado por Matt Lieberman (“Scooby! O Filme”) e Zak Penn (“Jogador Nº 1”) encontre explicações para todos os maiores dilemas do filme, algo surpreendente em um filme sem grandes pretensões.
Por mais que a história apresente inúmeros problemas complexos – como inteligências artificiais adquirindo consciência da própria existência –, eles são tão bem costurados na trama que o espectador mais distraído nem tem tempo para questioná-los.
Tudo isso com toques de comédia romântica e uma mensagem descaradamente otimista, tirados dos melhores exemplares dos clássicos dos anos 1980.
Talvez um exame mais minucioso escancare problemas flagrantes e ponta soltas, mas até aí o carisma gigantesco do elenco liderado por Reynolds e Comer já conquistou o público de tal forma que pontas soltas menores são facilmente perdoadas.
Não fosse todos os problemas anteriores a seus lançamentos, “Free Guy” poderia até passar como mais um filme de ação com Ryan Reynolds. Ele poderia até ser apenas mais uma aventura com um grande astro dirigida por Shawn Levy.
Mas, com um lançamento em uma época em que o público tanto precisa de um pouco de leveza, assume de vez sua posição como uma das mais agradáveis surpresas da temporada.
Taika Waititi, Utkarsh Ambudkar e Joe Keery em cena de ‘Free Guy – Assumindo o controle’
Divulgação