Fotógrafo Mario Luiz Thompson deixa icônicas capas de discos na história da MPB ao morrer em São Paulo em decorrência de covid-19


♪ OBITUÁRIO – Há algo em comum entre o retrato contemplativo de Belchior (1947 – 2017) exposto em 1974 na capa do primeiro LP do artista, o flagrante da caminhada noturna de Walter Franco (1945 – 2019) na capa do álbum Revolver (1975), a imagem elétrica de Alceu Valença na foto da capa do disco Vivo! (1976) e a reluzente negritude estampada por Gilberto Gil no close eternizado na capa do álbum Refavela (1977).
Essas quatro imagens icônicas são obras de Mario Luiz Thompson (28 de abril de 1950 – 22 de agosto de 2021), fotógrafo que saiu de cena no domingo, aos 71 anos, na cidade natal de São Paulo (SP), vítima de complicações decorrentes de infecção pelo covid-19. A morte foi confirmada pela família de Thompson nas redes sociais do fotógrafo.
Além de ter registrado em cena alguns dos maiores nomes da MPB ao longo de quase 50 anos, Thompson lega fotos perpetuadas em importantes capas de discos de música brasileira.
Além dos álbuns já citados, a arte do fotógrafo está estampada nas capas de discos de Almir Sater (Doma, 1982), Ednardo (Terra da luz, também de 1982) e Moraes Moreira (1947 – 2020) (Cara e coração e Alto falante, de 1977 e 1978, respectivamente), entre outros artistas.
Caracterizado por Gilberto Gil como “o fotógrafo da música brasileira”, Mario Luiz Thompson de Carvalho foi jornalista que fez da fotografia de artistas uma paixão exercida desde a segunda metade dos anos 1060 e que virou profissão em 1973.
Uma amostragem das centenas de milhares de fotos de shows foi apresentada pelo fotógrafo há 20 anos no livro Bem te vi – Música popular brasileira (2001), dividido em dois volumes que registraram 1.462 fotos de estrelas da MPB, geralmente sob as luzes do palco. Luzes que ajudaram a iluminar o talento singular do fotógrafo Mario Luiz Thompson.