Floresta amazônica já emite mais gás carbônico do que absorve, aponta estudo


Autora da pesquisa publicada na Nature afirma que, em 2018 mais de 60% do gás carbônico saiu da própria floresta e não das queimadas. Fogo consome parte da floresta amazônica em Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020.
AP Photo/Andre Penner
O potencial de absorção de dióxido de carbono, um dos gases que agravam o efeito estufa, já não é mais o mesmo. De acordo com um estudo publicado nesta quarta (14) na revista científica Nature, algumas regiões da floresta estão emitindo mais carbono do que conseguem absorver.
De acordo com Luciana Vanni Gatti, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e autora do artigo, em 2018 mais de 60% do gás carbônico saiu da própria floresta e não das queimadas.
O estudo aponta que as emissões totais de carbono são maiores na Amazônia oriental do que na parte ocidental, sendo a parte sudeste da Amazônia a mais comprometida.
“O sudeste da Amazônia, em particular, atua como uma fonte líquida de carbono (fluxo total de carbono menos as emissões do fogo) para a atmosfera”, afirmam os pesquisadores no artigo.
Segundo Gatti, com o aumento da temperatura causado agravamento do desmatamento, as árvores deixam de fazer fotossíntese e passam apenas a emitir os gases para a atmosfera, e não mais absorvê-los.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram 590 amostras do ar em quatro locais na Amazônia de 2010 a 2018.
“O nível de desmatamento em que estamos torna a condição climática impossível para uma floresta tropical úmida”, explicou Gatti em entrevista ao programa “Ambiente é o Meio”, da Rádio USP, no começo deste mês.
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