‘Fiscais seguravam lanterna para gente tentar enxergar’, diz candidata do Enem de cidade do Ceará onde faltou luz

Mais de 200 candidatos fizeram prova na Escola Municipal Dário Batista Moreno, no município cearense de Várzea Alegre. Uma estudante que fez o primeiro dia de prova do Enem 2020 na Escola Municipal Dário Batista Moreno, no município cearense de Várzea Alegre, relatou que os candidatos tiveram de terminar a prova com o auxílio de lanternas de celulares segurados pelos aplicadores do exame, após faltar energia elétrica no local, por volta de 15h.
“Nós não tínhamos condição alguma de enxergar nem o próprio gabarito. Fomos colocados para fora da sala para poder tentar terminar a prova com o auxílio de lanternas que os aplicadores seguravam para a gente tentar enxergar alguma coisa”, declarou Victória Camilli Bezerra da Silva.
De acordo com a estudante, os coordenadores do Enem na escola tentaram alternativas para que os 203 candidatos alocados na instituição pudessem prosseguir com a prova, mesmo sem energia elétrica.
“Eles informaram que o tempo que a gente fosse passar sem energia seria acrescentado ao final da prova. Só que chegou ao final e não tinha energia, e nenhuma perspectiva que fosse voltar em nenhum momento. E, por isso, a gente foi mais prejudicada ainda porque muita gente estava esperando voltar a energia para poder terminar a prova, e chegou 7h da noite, e não tinha energia”, destaca Victória.
A Enel Distribuição Ceará, operadora do serviço no estado, informou que “uma falha no transformador que atende o local causou a interrupção do fornecimento de energia para alguns clientes”. Segundo a companhia, equipes técnicas logo foram enviadas para o local para normalizar o serviço. De acordo com a empresa, o fornecimento foi completamente normalizado ainda no domingo.
Revolta após ano complicado
A situação causou revolta à candidata, principalmente pelas dificuldades que ela informa ter enfrentado com a pandemia de Covid-19. “A gente realmente ficou em uma situação desesperadora porque, diante de tudo que a gente passou esse ano, ainda viver isso.”, complementa a estudante.
“A gente precisa que essa denúncia seja feita, e que a gente tenha o direito à reaplicação. O que hoje nós pedimos é que seja feita a justiça e que a gente tenha direito à reaplicação dessa prova”, disse a candidata.
Já o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) explicou que o edital do Enem já ampara estes possíveis problemas de logística, não apenas em Várzea Alegre, mas no Brasil todo.
O instituto também garantiu que quem teve alguma doença infectocontagiosa antes da prova e não pôde comparecer, como a Covid-19, e outras doenças que estão previstas no edital, poderão solicitar a reaplicação da prova.