Fim do confinamento: retorno às escolas em 11 de maio divide pais de alunos na França


A volta será gradual: parte dos estudantes retorna às escolas no dia 11 e os demais nos dias 18 e 25 de maio. Já os alunos do ensino superior vão ter que esperar mais tempo, pois calendário de retomada do programa presencial nas universidades ainda não foi definido. Salas de aula estão sendo desinfetadas na França, que prepara a volta dos alunos para as escolas a partir de 11 de maio
Reuters/Eric Gaillard
A partir de 11 de maio, a França inicia um processo de saída do regime de confinamento preventivo imposto no país para lutar contra a pandemia de Covid-19. Além da retomada de parte do comércio, o governo anunciou a reabertura das creches e a volta às aulas nas escolas até o ensino médio.
No entanto, uma pesquisa de opinião divulgada esta semana revela que o assunto divide a população.
A volta às aulas será feita de forma gradual: uma parte dos estudantes retorna às escolas no dia 11 e os demais nos dias 18 e 25 de maio. Já os alunos do ensino superior vão ter que esperar mais tempo, pois o calendário de retomada do programa presencial nas universidades ainda não foi definido.
A hipótese mais provável é que o universitários continuem acompanhando suas aulas à distância até o final do ano letivo, em julho, e retornem para as salas de aula apenas em setembro, quando acontece a volta às aulas na França.
Mas esse calendário não agrada à todos. Segundo pesquisa realizada pelo instituto Odoxa-Dentsu Consulting para o jornal “Le Figaro” e a emissora France Info, 64% dos franceses se opõem à reabertura das escolas em maio.
Além disso, 60% consideram que a decisão foi tomada pelo governo apenas por razões econômicas, para que os pais possam voltar ao trabalho, enquanto 63% já avisaram que não pretendem enviar seus filhos para as sala de aula a partir de 11 de maio.
É o caso da mediadora educativa Luciana Melo. Moradora da periferia de Paris, a brasileira é mãe de Théo, 17 anos, que está na última série do ensino médio, e Enzo, 16 anos, que cursa o primeiro ano do ensino médio.
“Gostaria que eles ficassem em casa porque os riscos são menores. Eles tomam ônibus para chegar à escola e eu acho muito arriscado. Eu não sei se vai ter sabão e álcool gel nos estabelecimentos”, avalia. “Mas se eu for obrigada, mandarei apenas o mais velho, porque ele está no ano do Bac (exame francês equivalente ao Enem).”
O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, tenta tranquilizar a população, e insiste que a volta às salas de aula será feita de forma voluntária, deixando a possibilidade para aqueles que quiserem de manter seus filhos em casa por mais tempo, acompanhando as aulas a distância, como vem sendo feito até agora.
Além disso, o governo está preparando um dispositivo especial para esse retorno gradual, com a possibilidade de dividir as classes em dois grupos, de cerca de 15 pessoas cada um, afim possibilitar que os alunos mantenham o distanciamento social.
No entanto, o ensino na França quase sempre é feito em período integral. E nada foi dito até agora sobre os intervalos das aulas ou o horário do almoço, quando todos os alunos se reúnem nas cantinas das escolas.  
Vida social apesar do distanciamento
Alguns pais reconhecem o risco, já que o número de novas contaminações pela Covid-19 continua crescendo, com mais de 21 mil vítimas fatais no país. A França registra o quarto maior balanço de mortos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da Itália e da Espanha. Mesmo assim, muitos preferem enviar seus filhos para a escola a partir de maio.  
“Claro que me preocupa o fato de que a gente possa se contaminar e os filhos também podem trazer o vírus para casa, principalmente se eles se encontrarem em classes grandes, com muitos alunos”, comenta a ceramista brasileira Ana Lachaux, moradora de Paris.
“Mas de qualquer maneira, eu acho que devemos tentar, pois não vai ser possível continuar com esse isolamento para sempre”, defende a mãe de Julien, 15, aluno do primeiro ano do ensino médio, e Clara, 19, que se prepara para o vestibular de Engenharia. “O adolescente já é confinado por natureza, então eu acho bom ele sair um pouco. Acho bom esse retorno à escola mais pelo aspecto da vida social”.
Esta também é a opinião da professora francesa Ursula del Aguila, moradora de Nice, no sul da França, e mãe de Jasper, de 8 anos.
“Eu vou mandá-lo para a escola no dia 11 de maio, pois acho isso bom para nossa saúde mental. Sou mãe solteira e é importante que ele não fique confinado eternamente e possa ter contato com outras pessoas”. Além disso, para ela, a ideia de dividir as classes em dois grupos pode ser positiva para o aprendizado dos alunos.
Crianças mascaradas?
No entanto, do ponto e vista profissional ela teme esse retorno às salas de aula em maio. “Como professora do ensino médio, estou bastante preocupada. Tenho receio de que o protocolo sanitário não seja respeitado e a ideia de trabalhar o dobro do tempo (em caso de separação das classes em dois grupos) não me agrada nada, pois isso vai multiplicar os riscos de contaminação. Eu crio meu filho sozinha. Se eu ficar doente, como vou poder cuidar dele?”, desabafa.
O governo ainda não divulgou as medidas concretas que serão tomadas para a reabertura das escolas. Nesta sexta-feira (24), o ministro da Saúde, Olivier Véran, disse que impor o uso de máscaras para as crianças seria “muito complicado”.
No entanto, ele não descarta que todos os professores sejam obrigados a usar o acessório de proteção. O único problema é que até agora a França ainda luta contra a escassez de máscaras cirúrgicas, reservadas por enquanto aos profissionais da saúde. O governo prometeu que a situação deve mudar a partir da próxima semana.  
Initial plugin text