Festival de Berlim começa e aposta na política, polêmica e ação; mostra tem grande participação brasileira


Este ano, evento será marcado pelo fim de uma das homenagens mais emblemáticas. O Prêmio Alfred Bauer foi cancelado após a revelação do passado nazista do primeiro diretor do festival. Festival Berlinale começa nesta quinta-feira (20)
Britta Pedersen/dpa via AP
Ficção e temas atuais se encontram na 70ª edição do Festival de Berlim, que começa nesta quinta-feira (20) com 18 filmes na disputa pelo Urso de Ouro, incluindo uma produção brasileira, e uma nova mostra dedicada a novas formas de fazer cinema.
As atrizes Sigourney Weaver e Margaret Qualley – filha de Andie MacDowell – serão responsáveis pela abertura de um dos festivais de cinema mais importantes da Europa, ao lado de Cannes e Veneza, com “My Salinger Year”, uma história sobre a criação literária e a ambição profissional que será exibida fora de competição.
O brasileiro “Todos os mortos”, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, ambientado no fim do século XIX, poucos anos após o fim da escravidão, concorre ao Urso de Ouro, ao lado de filmes como “Siberia”, do veterano Abel Ferrara, e “First Cow”, da americana Kelly Reichardt.
Outro destaque na mostra oficial é “The roads not taken”, da britânica Sally Potter, na qual Javier Bardem interpreta um deficiente auxiliado pela filha (Elle Fanning).
“Hardcore”
Outros filmes que desejam suceder “Synonymes”, vencedor do Urso de Ouro do ano passado. são “There is no evil”, do dissidente iraniano Mohamad Rasoulof, e “DAU. Natasha”, um dos filmes do polêmico projeto do russo Ilya Khrzhanovskiy, que recriou uma cidade soviética na qual filmou a vida de 400 pessoas, repleta de violência e pornografia.
“A maioria das cenas deste projeto são hardcore, não apenas este filme”, disse o novo codiretor do festival, Carlo Chatrian, antecipando a polêmica.
No conjunto, a mostra deste ano observa o mundo atual “sem ilusão, para abrir os nossos olhos”, destacou.
A premiação será anunciada em 29 de fevereiro pelo júri presidido pelo ator britânico Jeremy Irons e que tem a presença do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho (“Bacurau”).
A britânica Helen Mirren receberá o Urso Honorário.
Homenagem cancelada
Uma das homenagens mais emblemáticas da Berlinale, o Prêmio Alfred Bauer foi cancelado há algumas semanas, após a revelação do passado nazista do primeiro diretor do festival.
O jornal Die Zeit publicou que Bauer – diretor da mostra entre 1951 e 1976 – foi um alto funcionário do departamento cinematográfico de propaganda criado por Joseph Goebbels, ministro de Adolf Hiltler, além de ter espionado grandes figuras da indústria do cinema durante o III Reich.
Os novos diretores da Berlinale, Chatrian e Mariette Rissenbeek, também anunciaram a criação da mostra “Encounters”, que exibirá obras mais ousadas de cineastas “inovadores”.
Fora de competição, a ex-candidata democrata à presidência americana Hillary Clinton é esperada na capital da Alemanha para apresentar a minissérie autobiográfica “Hillary”. A Pìxar exibirá seu novo filme de animação “Onward” (“Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” no Brasil) e a atriz australiana Cate Blanchett a série “Stateless”.
A presença brasileira na Berlinale
A 70ª edição do Festival de Cinema de Berlim tem uma grande participação brasileira em várias mostras.
O país terá forte presença na mostra “Panorama”, com quatro filmes, incluindo o documentário “Nardjes”, do diretor Karim Aïnouz, premiado ano passado em Cannes por “A Vida Invisível”.
Outro documentário, “O reflexo do lago”, de Fernando Segtowick, que mostra a vida de pessoas que moram nas proximidades da hidrelétrica de Tucuruí, também foi selecionado.
Confira outras presenças brasileiras no festival:
Mostra competitiva pelo Urso de Ouro
“Todos os mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra (Brasil, França)
Encounters – Nova mostra competitiva consagrada a propostas estéticas inovadoras
“Los Conductos”, de Camilo Restrepo (coprodução Colômbia, França, Brasil)
Panorama – Se define como “explicitamente queer, feminista e política”
“Cidade Pássaro”, de Matias Mariani (Brasil, França)
“Nardjes A.” (documentário), de Karim Ainouz (Brasil, Argélia, França, Alemanha, Catar)
“O reflexo do lago” (documentário), de Fernando Segtowick (Brasil)
“Un crimen común”, de Francisco Márquez (coprodução Argentina, Brasil, Suíça)
“Vento Seco”, de Daniel Nolasco (Brasil)
Fórum – Mostra mais experimental.
“Chico ventana también quisiera tener un submarino”, de Alex Piperno (coprodução Uruguai, Argentina, Brasil, Holanda, Filipinas)
“Luz nos trópicos”, de Paula Gaitán (Brasil)
“Vil, má”, de Gustavo Vinagre (Brasil)