Festival de Berlim começa com formato digital, duração reduzida e prêmio de atuação ‘sem gênero’


Berlinale foi reduzida de 10 para 5 dias, mas planeja etapa presencial em junho. Prêmio de atuação junta atores e atrizes. Brasil está presente com longa ‘A última floresta’ e série ‘Os Últimos Dias de Gilda’ Membros do juri do Festival de Berlim 2021: a diretorabósnia Jasmila Zbanic, a húngara Ildiko Enyedi, o italiano Gianfranco Rosi e a romena Adina Pintilie
Markus Schreiber / POOL / AFP
A 71ª edição do Festival de Berlim estreou no formato virtual nesta segunda-feira (1º), com uma programação concentrada, à espera de poder realizar uma segunda parte com tapete vermelho e aberta ao público em junho.
O primeiro grande festival do ano na Europa foi reduzido de dez para cinco dias. Para a possível segunda parte, são programadas exibições ao ar livre e a cerimônia de entrega de prêmios.
Pela primeira vez, o Festival de Berlim concederá um prêmio de interpretação “sem gênero”, em vez dos prêmios de melhor ator e atriz, o primeiro a existir entre as principais competições internacionais.
O filme libanês “Memory Box”, da dupla de diretores e artistas Joana Hadjithomas e Jalil Joreige, abriu a série de exibições reservadas a profissionais e imprensa.
O Brasil está presente com o filme “A última floresta” na competição oficial e a série “Os Últimos Dias de Gilda” na mostra paralela Berlinale Series.
‘A última floresta’
Divulgação
No total, 15 longas-metragens concorrem ao Urso de Ouro, que será anunciado na sexta-feira. Entre eles, também há o mexicano “Una película de policías”, de Alonso Ruizpalacios.
“Memory box”, primeiro filme libanês selecionado em competição em 40 anos, mergulha na memória de uma família da diáspora de Montreal daquele país.
O filme de Hadjithomas e Joreige quase não viu a luz, já que as filmagens terminaram pouco antes da explosão em 4 de agosto de 2020 no porto de Beirute, que deixou mais de 200 mortos e 6.500 feridos e destruiu bairros inteiros da capital libanesa.
Seu apartamento, a sede da produtora e boa parte de suas obras também foram atingidos.
O casal explicou por videoconferência à AFP que fez o filme sobre memória e esquecimento em parte “com a ideia de transmitir o passado” de seu país à filha, instalada em Londres.
“No Líbano, temos a sensação de não compartilhar uma história comum”, segundo Hadjithomas.
De sua casa em Paris, a diretora também admitiu que fazer filmes durante a pandemia gera “grande frustração”. Mas “de alguma forma, a Covid-19 ajudou o filme. Conseguimos trabalhar mais, ver as coisas em perspectiva e às vezes mudá-las”.
Com “Una película de policías”, da Netflix, Ruizpalacios volta à principal categoria do Berlinale, três anos depois de “Museo”, com o qual ganhou o prêmio de melhor roteiro.
Destacam-se também os longas-metragens “Petite Maman”, da francesa Céline Sciamma (“Retrato de uma Jovem em Chamas”), assim como o novo trabalho da alemã Maria Schrader (série “Unorthodox”), e a estreia na direção do ator hispânico-alemão Daniel Brühl (“Adeus, Lenin!”).
O romeno Radu Jude volta à competição com “Bad Luck Banging or Looney Porn” sobre uma professora filmada em uma “sextape”, que viraliza na internet.
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