Fernando Caneca refaz álbum de Gilberto Gil com as vozes de Lenine, Mart’nália, Moska, Pedro Luís e Roberta Sá


Disco lançado pelo artista baiano em 1975 é regravado pelo violonista e guitarrista com produção musical de JR Tostoi. ♪ Álbum lançado por Gilberto Gil em 1975, Refazenda promoveu a imersão do artista baiano em ambiente mais espiritualizado, em harmonia com a natureza e com o mundo rural, sem perda da conexão com a vida urbana.
Disco em que Gil olhou para dentro de si, Refazenda soou mais interiorizado no confronto com o anterior álbum de estúdio do cantor e compositor, Expresso 2222 (1972), disco em que, ao voltar ao Brasil, vindo do exílio em Londres, Gil reavivou as origens nordestinas sobre prisma pop roqueiro.
Guitarrista e violonista pernambucano, Fernando Caneca percebeu que, no repertório que vinha tocando na internet ao longo de 2020, havia algumas músicas de Refazenda. Diante da constatação, Caneca decidiu regravar o álbum de Gil com outros arranjos em disco intitulado Refazendo.
Produzido e mixado pelo guitarrista JR Tostoi, o álbum Refazendo chega ao mercado fonográfico na sexta-feira, 19 de março, em edição da gravadora Deck.
Às onze músicas do álbum original de 1975, Caneca adicionou Rato miúdo, composição que chegou a ser gravada por Gil para Refazenda no que poderia ter sido pioneiro flerte do artista com o reggae se a censura não tivesse vetado a música por causa dos versos “Por ter sido julgado incapaz, definitivamente, podendo exercer atividades civis”.
Retirada do LP por força maior, Rato miúdo somente saiu da toca 41 anos depois, em outubro de 2016, mês em que apareceu na internet gravação embrionária da música. No álbum Refazendo, Rato miúdo reaparece na voz de Lenine no primeiro registro fonográfico oficial da composição.
Capa do álbum ‘Refazendo’, de Fernando Caneca
Divulgação
A propósito, Fernando Caneca convidou cantores para interpretar algumas músicas do repertório inteiramente autoral de Refazenda, disco em que Gil acionou a máquina de ritmos personificada no virtuoso e plural violão do artista. Na gravação do álbum de 1975, esse violão é o motor que Ela fez cair no suingue.
Ela é música ouvida em Refazendo na voz de Pedro Luís. A Roberta Sá, coube se afinar na delicadeza de Tenho sede, parceria de Gil com Dominguinhos (1941 – 2013), nome fundamental na arquitetura do álbum de 1975, primeiro título da trilogia Re, desenvolvida por Gil em Refavela (1977) e Realce (1979), além de ter sido aludida no título de Refestança (1977), disco gravado ao vivo por Gil com Rita Lee.
E por falar em Dominguinhos, Paulinho Moska refaz Lamento sertanejo, outra composição de Gil com o compositor pernambucano. Mart’nália canta Jeca total.
As outras músicas do disco – Refazenda, Essa é para tocar no rádio, Retiros espirituais, O rouxinol, Meditação e Pai e mãe – ganham registros instrumentais em que Caneca se alterna nos toques do violão, das percussões e do baixo.
Músicos como Marcos Suzano (pandeiro em Ela), Davi Moraes (guitarra e vocoder em Essa é para tocar no rádio), Federico Puppi (violoncelo na música-título Refazenda), Carlos Malta (flautas em O rouxinol) e Luís Barcelos (bandolim em Retiros espirituais) encorpam os arranjos criados para esse disco em que Fernando Caneca refaz a acurada obra de Gilberto Gil.
Capa do álbum ‘Refazenda’, de Gilberto Gil
Reprodução