Ex-presidente das Maldivas é alvo de atentado; estado é crítico


Mohamed Nasheed foi o 1º presidente democraticamente eleito do país e é o atual presidente do Parlamento. Ele foi alvo de ataque terrorista a bomba, perto de sua casa, na capital Malé. Policiais isolam área após ataque terrorista contra Mohamed Nasheed, primeiro presidente democraticamente eleito das Maldivas e atual presidente do Parlamento, em Malé, em 6 de maio de 2021
Mohamed Sharuhaan/AP
Mohamed Nasheed, primeiro presidente democraticamente eleito das Maldivas e atual presidente do Parlamento, foi alvo de um ataque terrorista na noite de quinta-feira (6) em Malé, capital do país.
Nasheed foi ferido em uma explosão perto da sua casa e foi levado ao hospital. Ele passou por “múltiplas cirurgias” e seu estado é “crítico”, divulgou o hospital nesta sexta-feira (7).
Segundo o hospital, o político teve “ferimentos na cabeça, no tórax, no abdómen e nos membros” e foi submetido a “um procedimento final crítico para salvar sua vida”.
As cirurgias foram bem-sucedidas e Nasheed “continua em estado crítico na terapia intensiva”, de acordo com o comunicado.
A polícia das Maldivas classificou nesta sexta a explosão como um ato de terrorismo, mas nenhum suspeito foi identificado até o momento.
Ninguém assumiu a responsabilidade pela explosão, que reavivou preocupações com a segurança no país do Oceano Índico.
As Maldivas são conhecidas por suas praias paradisíacas e seus resorts de luxo, mas também tem enfrentado agitação política e violência militante islâmica (veja mais abaixo).
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Reprodução/Instagram
A Austrália se ofereceu para ajudar na investigação do ataque.
O atual presidente das Maldivas, Ibrahim Mohamed Solih, disse em um discurso na TV que o atentado foi um “ataque à democracia” e que investigadores australianos chegarão no sábado (8).
Nasheed e o extremismo religioso
Nasheed foi o primeiro presidente democraticamente eleito do arquipélago do Oceano Índico e comandou o país entre 2008 e 2012.
A presidência de Nasheed pôs fim a um regime autocrático de 30 anos, mas próprio mandato foi encurtado após ele renunciar em meio a protestos.
Ele foi derrotado na eleição presidencial seguinte e tornou-se inelegível para a disputa em 2018 por causa do tempo que ficou preso. Seu aliado e colega de partido, Solih, ganhou a eleição.
Foto de 14 de fevereiro de 2019 do ex-presidente das Maldivas e atual presidente do Parlamento, Mohamed Nasheed, durante discurso em Nova Délhi, na Índia, sobre mudanças climáticas
Manish Swarup/AP
O político permanece uma figura influente e foi eleito presidente do Parlamento em 2019. Ele tem criticado abertamente o extremismo religioso no país, cuja maioria da população é muçulmana sunita.
Pregar e praticar outras religiões são proibidos por lei nas Maldivas.
Nasheed também defende esforços globais para combater as mudanças climáticas, especialmente a elevação do mar que ameaça as ilhas baixas do país.
O país é conhecido por suas praias paradisíacas e seus resorts de luxo — e raramente tem ataques violentos.
As Maldivas são um país de 540 mil habitantes no Oceano Índico formado por 26 atóis que, por sua vez, são formados por mais de 1 mil ilhas de coral.
Extremismo religioso
Mas as Maldivas têm passado por um aumento no extremismo religioso e tem um dos maiores números proporcionais de terroristas do Estado Islâmico que lutaram na Síria e no Iraque.
Autoridades anunciaram em janeiro que oito presos estavam planejando atacar uma escola e estavam construindo bombas em um barco no mar.
A polícia também disse que eles realizaram treinamento militar em ilhas desabitadas e recrutaram crianças.
Em 2007, uma explosão em um parque da capital feriu 12 turistas estrangeiros.
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