‘Espíritos Obscuros’ cria boa mistura de suspense e terror para releitura de monstro lendário; g1 já viu


Filme é produzido por Guillermo Del Toro, ganhador do Oscar por “A Forma da Água”, e trabalha com mitologia dos índios americanos. Trama é dirigida por Scott Cooper, de “Aliança do Crime” Desde que ganhou vários prêmios, incluindo o Oscar de 2018, por “A Forma da Água”, Guillermo Del Toro tem usado o seu prestígio para produzir novos filmes envolvendo criaturas fantásticas e monstruosas.
O mais recente a chegar aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira, 28 de outubro, “Espíritos Obscuros”, trabalha numa nova versão de um monstro mitológico para os índios americanos, o wendigo, e possui todos os elementos que fazem a cabeça do cineasta mexicano: muito suspense, cenas fortes e um conflito envolvendo uma criança em perigo. O resultado, embora não seja genial, é bem desenvolvido e deve agradar aos fãs do gênero de terror.
Assista ao trailer do filme “Espíritos Obscuros”
Ambientada numa cidade isolada do estado americano do Oregon, a trama é centrada na professora Julia Meadows (Keri Russell, da série “The Americans”), que mora com o irmão, Paul (Jesse Plemens, de “Judas e o Messias Negro” e “Vice”), que trabalha como xerife. Durante suas aulas, Julia percebe que um de seus alunos, Lucas (o estreante Jeremy T. Thomas) apresenta um estranho comportamento e resolve investigar se o menino está sofrendo algum tipo de abuso em casa.
Aos poucos, ela descobre que Lucas possui um terrível segredo, que pode estar ligado a uma série de crimes em que suas vítimas são assassinadas de forma terrível. Com medo de que algo pior possa acontecer com o garoto, Julia se esforça para ajudá-lo, ao mesmo tempo em que o irmão tenta esclarecer quem ou que está por trás das mortes na região.
Keri Russell e Jeremy T. Thomas numa cena de “Espíritos Obscuros”
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Terror sem medo de chocar
Uma das grandes qualidades de “Espíritos Obscuros” está na boa construção de suspense e terror, realizada pelo diretor Scott Cooper (“Aliança do Crime”). O clima soturno das cenas, principalmente as que envolvem a misteriosa causa dos assassinatos, prende a atenção e mantém o interesse pela trama. O cineasta equilibra essas sequências com alguns momentos de sustos, que nunca parecem gratuitos e cumprem o objetivo de causar surpresa e pavor.
Além disso, Cooper não tem medo de mostrar imagens perturbadoras das vítimas que vão surgindo à medida que a trama avança. Assim, corpos decapitados, vísceras, ossos quebrados e outras mutilações aparecem em close e podem deixar o espectador mais impressionável com um embrulho no estômago.
Desta forma, o filme consegue fazer um interessante equilíbrio entre a sugestão, obtida através da fotografia que brinca com luzes e sombras, para não deixar claro o que é visto em alguns momentos, e o explícito, que provoca terror e asco.
Keri Russell investiga um terrível mistério em “Espíritos Obscuros”
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Já o roteiro, inspirado no conto “The Quiet Boy”, de Nick Antosca (que também assina o texto, junto com o diretor e C. Henry Chaisson), se sai bem em explicar a lenda por trás da causa das mortes, mas peca em algumas conveniências, que deixam claro quem vai morrer e quem vai sobreviver na história.
Isso sem falar na subtrama envolvendo a protagonista e seus fantasmas do passado e que justificaria o motivo dela se interessar tanto em ajudar Lucas. Faltou um pouco mais de aprofundamento e os clichês acabam enfraquecendo essa parte do filme.
Quanto ao elenco, embora ninguém tenha um grande destaque, Jesse Plemons se sai um pouco melhor como o xerife que custa a acreditar que possa estar lidando com um perigo sobrenatural. Ele também tem um bom momento quando é confrontado pela irmã em relação a problemas que os dois tiveram quando eram mais jovens.
Jesse Plemons, Jeremy T. Thomas e Keri Russell enfrentam estranha criatura em “Espíritos Obscuros”
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Outro que também chama a atenção é o menino Jeremy T. Thomas, que consegue transmitir bem o mistério e a angústia que Lucas sente ao ter que viver uma inusitada situação para uma criança. Isso contribui para criar uma empatia pelo personagem, que além de lidar com seus problemas pessoais, ainda é vítima de bullying e tenta se virar como pode.
“Espíritos Obscuros”, no final das contas, se revela um terror bastante correto, que cumpre bem o seu objetivo de assustar o público, desde que não se exija muito dele. Pelo menos vale para quem não conhece muito sobre as lendas indígenas dos Estados Unidos e quer sentir um pouco de medo enquanto aprende um pouco sobre mais um dos monstros que Guillermo Del Toro adora dar vida no cinema.