Espécie de peixe que já foi considerada extinta com os dinossauros pode viver por 100 anos e ainda está na Terra


Novo estudo publicado nesta semana na ‘Current Biology’ traz novas descobertas sobre os celacantos: fêmeas carregam seus filhotes por cinco anos e maturidade sexual é atingida perto dos 55 anos de vida. Peixe celacanto no Quênia em foto de 2001
George Mulala/Reuters
O celacanto — um peixe que chegou a ser considerado extinto com os dinossauros há 66 milhões de anos — tem uma vida útil cinco vezes maior do que os cientistas pensavam até agora. Existente na Terra nos dias atuais, ele vive por cerca de cem anos, segundo estudo publicado na revista “Current Biology”.
Grupo de cientistas decodifica DNA do peixe pré-histórico celacanto
Em 1938, um peixe celacanto foi inesperadamente encontrado vivo na costa leste da África do Sul, o que surpreendeu pesquisadores. Agora, essa nova pesquisa mostra que, além de viverem por cerca de um século, as fêmeas carregam seus filhotes por cinco anos, período de gestação mais longo já conhecido de todos os animais.
Os cientistas também descobriram que o celacanto se desenvolve e cresce em ritmo mais lento que qualquer outro peixe. Ele não atinge a maturidade sexual até cerca de 55 anos.
Para chegar aos resultados, os autores utilizaram os anéis de crescimento anuais presentes nas escamas dos peixes para determinar a idade individual dos celacantos — “assim como é feita a leitura de anéis de árvores”, explicou o biólogo marinho Kélig Mahé, da instituição oceanográfica francesa Ifremer, e principal pesquisador do estudo.
Os celacantos apareceram pela primeira vez durante o período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos, 170 milhões de anos antes dos dinossauros. Com base no registro fóssil, acreditava-se que eles tinham desaparecido durante a extinção em massa que exterminou cerca de três quartos das espécies da Terra após a queda de um asteróide no período Cretáceo.
Espécie atinge maturidade sexual perto dos 55 anos
George Mulala/Reuters
Depois de ser encontrado, o celacanto foi apelidado de “fóssil vivo”, descrição rejeitada pelos cientistas: “Por definição, um fóssil está morto e os celacantos evoluíram muito desde o (período) Devoniano”, disse o biólogo e co-autor do estudo Marc Herbin, do Museu Nacional de História Natural de Paris.
A espécie de peixes reside no oceano, em profundidades de até 800 metros. Durante o dia, os celacantos ficam em cavernas vulcânicas sozinhos ou em pequenos grupos. As fêmeas são um pouco maiores do que os machos, atingindo cerca de dois metros de comprimento e pesando 110 quilos.
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