Escultor argentino transforma lixo da pandemia em arte: ‘Dor em beleza’


Após ficar internado com Covid-19, Marcelo Toledo decidiu que sua nova exposição seria sobre o impacto do coronavírus e usa máscaras e seringas descartadas nas produções. Marcelo Toledo, escultor argentino, transforma lixo da pandemia em arte
Reuters/Agustin Marcarian
Marcelo Toledo costuma criar esculturas e joias com metal. Agora, o artista argentino trabalha com um novo material: máscaras e seringas descartadas, da pandemia, que serão utilizadas para criar uma exposição que explora o doloroso impacto do vírus.
Toledo, que já fez joias para o musical “Evita” na Broadway e peças únicas para Barack Obama e Madonna, foi um dos primeiros na Argentina a contrair a Covid-19, há um ano, que o deixou internado por oito dias com pneumonia.
A experiência deixou uma marca em sua vida e desencadeou uma enxurrada de obras de arte, começando com a máscara de 14 metros com a bandeira argentina que o artista colocou sobre o icônico Obelisco de Buenos Aires para aumentar a conscientização sobre a doação de órgãos durante a pandemia.
Máscaras, seringas, potes de vacinas são usados na nova exposição do argentino Marcelo Toledo
Reuters/Agustin Marcarian
Para sua nova exposição, o “Museu do Depois”, Toledo está coletando resíduos reciclados da pandemia enviados por hospitais, laboratórios e pessoas aleatórias. Isso inclui vacinas antigas, materiais médicos e recortes de jornais sobre a pandemia.
“Estou animado para poder transformar a dor em beleza e essa exposição é apenas isso, capturar tudo o que está acontecendo conosco como sociedade”, disse Toledo, 45, à Reuters em seu estúdio no bairro de San Telmo, em Buenos Aires.
As obras, que estarão expostas a partir de setembro em um espaço público no centro de Buenos Aires, serão todas feitas com “materiais descartáveis ​​ou lixo que as pessoas mandam”, muitos deles lacrados em sacos a vácuo.
“É a primeira vez que faço uma exposição em que não tenho de comprar nenhum dos materiais”, disse. “Tudo será lacrado ou colocado em cápsulas porque nunca devemos esquecer isso. Então, a ideia é que tudo possa ser preservado ao longo do tempo”.
A exposição contará com um verdadeiro navio que simbolicamente atravessa uma “tempestade” e ilhas de reciclagem para sensibilizar sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente.
Desenhos e itens usados em hospitais vão ser expostos no próximo trabalho do argentino Marcelo Toledo
Reuters/Agustin Marcarian
“A exposição contará a história desse navio que saiu à vela e ficou encalhado após uma tempestade, o que é uma grande metáfora para tudo o que está acontecendo conosco. Essa pandemia é uma grande tempestade global”, disse Toledo.
Assim como a máscara gigante, que foi replicada em países como Estados Unidos e Japão, o artista sonha em reproduzir a nova mostra em outras cidades do mundo.
“A ideia deste ‘Museu do Depois’ é procurar elementos de todo o mundo, e também poder replicá-los em outros locais e até mesmo conseguir um museu físico para deixar a obra para a posteridade”, disse.