Entenda o Parkinson, doença que estaria afetando Angela Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, 64, apareceu tremendo três vezes

A chanceler alemã, Angela Merkel, 64, apareceu tremendo três vezes
REUTERS/Fabrizio Bensch/21.05.2019

A chanceler alemã, Angela Merkel, 64, voltou a apresentar tremor corporal intenso  em mais uma aparição pública, nesta quarta-feira (10). Trata-se da terceira vez em menos de um mês que ela manifesta o sintoma em uma cerimônia oficial.

Uma das especulações é que o espasmo seja um sintoma da doença de Parkinson. Outra hipótese levantada pelo neurocirurgião Julio Pereira, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, é o tremor ortostático, que afeta principalmente mulheres acima de 60 anos. “Trata-se de uma condição neurológica que ocorre em repouso e se manifesta quando uma pessoa fica muito tempo em pé. É como se a pressão baixasse”, explica.

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O tremor em repouso também é um dos principais sintomas do Parkinson, segundo o neurologista. Esse tremor pode ser nos braços, pernas, de apenas um lado ou no corpo inteiro. 

Outros sinais são rigidez nos movimentos – a dificuldade em abrir e fechar os braços, por exemplo, é comparado à resistência da abertura de um canivete – lentificação dos movimentos e instabilidade postural, ou seja, ao caminhar tem-se a impressão de que a pessoa pode cair a qualquer momento. “E ela realmente apresenta mais quedas”, diz.

Segundo ele, muitas pessoas confundem essa lentificação dos movimentos com uma característica natural do envelhecimento. “Mas no Parkinson isso é mais exacerbado”, ressalta.

O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa progressiva mais frequente no mundo, atrás apenas do Alzheimer, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos tem a doença. No Brasil, a estimativa é que acometa mais de 200 mil pessoas.

Ele explica que os sintomas da doença, que atinge o sistema nervoso central e afeta os movimentos, são causados pela falta de dopamina no cérebro. “A dopamina é a substância responsável pelos movimentos. A doença provoca a morte de células do cérebro na área responsável pela produção de dopamina. Por essa razão, os sintomas estão relacionados aos movimentos”, diz. 

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O diagnóstico é clínico, de acordo com o neurologista. O tratamento é realizado por meio de medicamentos que melhoram os sintomas, mas não são capazes de conter a evolução da doença, já que se trata de uma enfermidade degenerativa.

Quando o paciente não responde aos medicamentos, há indicação cirúrgica na qual são colocados eletrodos no cérebro para estimular o órgão a controlar os movimentos anormais do corpo. 

“A evolução da doença é muito individual. Em algumas pessoas, a progressão é rápida e, em outras, é lenta”, afirma.

Segundo o neurologista, existe um fator genético para o desenvolvimento do Parkinson, mas a forma mais comum da doença é a chamada “esporádica”, ou seja, sem causa aparente. “Quem tem parente com a doença tem a chance um pouco maior de desenvolver o problema”, explica.

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Outra causa conhecida, de acordo com Pereira, são traumas repetitivos na cabeça, como ocorreu com os lutadores de boxe Muhammad Ali e Eder Jofre. Além disso, algumas medicações podem induzir à chamada síndrome parksioniana, porém a simples interrupção do uso desses remédios podem encerrar o problema.

“Como toda doença degenerativa não há como prevenir a doença de Parkinson. A não ser evitar traumas repetitivos na cabeça e medicações que levam à síndrome parkinsoniana”, orienta.

Assista ao vídeo de Angela Merkel tremendo pela terceira vez: