Entenda a síndrome que causa tiques nos olhos de Billie Eilish

A cantora Billie Eilish, 16, arregala os olhos involuntariamente e sofre com isso

A cantora Billie Eilish, 16, arregala os olhos involuntariamente e sofre com isso
Reprodução/YouTube

Em vídeos e entrevistas é possível ver a cantora norte-americana Billie Eilish, 16, arregalando os olhos e olhando para o lado com frequência (veja o vídeo abaixo). Isso acontece porque ela tem a Síndrome de Tourette (lê-se “turrê”), doença neuropsiquiátrica que causa rápidos tiques motores ou vocais involuntários.

“Tiques simples, como piscar repetidamente os olhos, pigarrear, dar de ombros ou mexer a cabeça, ou tiques complexos, como falar palavrões ou xingar no meio das frases, ou repetir palavras são alguns dos exemplos de manifestações do Tourette”, explica o neurologista Fábio Porto, do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP).

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Segundo ele, os tiques não são os únicos sintomas do Tourette. O paciente pode ter comportamentos semelhantes aos do TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), ansiedade e TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Por conta desses sintomas, muitas vezes o paciente pode ter dificuldade de aprendizado, apresentar impulsividade e comportamentos agressivos.

“O Tourette é diferente de um cacoete. O cacoete é uma manifestação de tiques que ocorre apenas com a ansiedade ou o nervosismo antes de uma apresentação, por exemplo. Já a síndrome não, os tiques podem acontecer sem a ansiedade, mas pioram com ela. As manifestações do Tourette ocorrem com frequência e são impeditivas, incomodam e causam vergonha”, diz o neurologista.

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Por conta de os tiques não serem considerados comportamentos “normais” e estarem sujeitos a hostilizações, os portadores dessa síndrome têm uma maior probabilidade de desenvolver depressão, transtornos ansiosos e insônia.

O médico explica que a síndrome ocorre no circuito entre a base do cérebro e o lobo frontal por uma alteração nos níveis de dopamina, neurotransmissor presente nessa área. A doença costuma apresentar melhora e redução dos sintomas a partir dos 20 anos, visto que nessa idade o lobo frontal cerebral já está completamente formado.

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Porto afirma que as manifestações começam ainda na infância, se apresentando até os 10 anos, principalmente entre homens, e pode apresentar melhora ao longo dos anos, dependendo do grau de acometimento e do tratamento. Existe a suspeita de predisposição genética, mas sem comprovação científica.

Para que o Tourette seja diagnosticado, é preciso que os tiques e as manifestações não sejam transitórios e durem pelo menos um ano.

O diagnóstico pode ser realizado por neurologistas, psiquiatras, neuropediatras e pediatras. O tratamento pode envolver medicamentos neurolépticos, que reduzem os níveis de dopamina no cérebro, terapia cognitivo-comportamental para ajudar o paciente a ter maior controle sobre os tiques e até mesmo cirurgias para casos avançados, sendo a mesma intervenção utilizada para Parkinson.

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Para reduzir os tiques, Porto orienta também que o paciente busque praticar atividades relaxantes, como ioga ou meditação, de maneira a reduzir o estresse e, consequentemente, a intensidade da doença.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini