Enem 2021: PF nega interferência na troca de aplicadoras da prova

Relato publicado em redes sociais afirma que professoras teriam sido retiradas da lista de aplicadores do exame por não terem passado em avaliação da Polícia Federal. A empresa executora do exame informou à PF que o cadastro delas não foi aprovado por ter sido realizado após a data limite. Em nota divulgada neste sábado (20), a Polícia Federal negou envolvimento na troca de dois colaboradores que participariam da aplicação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), a ser realizada neste domingo (21).
Na sexta-feira (19), uma diretora de uma escola estadual de São Paulo, que será um dos lugares de aplicação da prova, afirmou em uma rede social que duas professoras foram retiradas da listagem original de aplicadores do exame para darem lugar a dois policiais federais.
Segundo a diretora Hélida Lança, que também é professora na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp), a comunicação da troca foi feita pela Fundação Cesgranrio, executora do exame.
Em outra postagem, Lança disse que foi informada pela empresa que o motivo para a troca das aplicadoras seria o fato de elas não terem passado por uma avaliação da PF, “em razão de terem sido alocadas por último”.
Segundo a PF, a empresa executora afirmou que indeferiu os cadastros das colaboradoras por eles terem sido realizados após a data limite. Essa informação foi passada à PF pela empresa, conforme a nota. Já a “mensagem vinculando o indeferimento dos cadastros à Polícia Federal, segundo o representante da empresa, foi um ‘erro de comunicação’”, afirmou a PF em nota.
A PF não respondeu na nota à acusação de ter indicado policiais federais para o lugar das aplicadoras.
Ainda segundo a PF, todos os anos é realizada uma verificação dos colaboradores que trabalham no Enem para garantir que não haja participação de pessoas com mandados de prisão em aberto ou com histórico de envolvimento em fraudes.
A realização do Enem conta com a participação de aplicadores (normalmente professores), e fiscais, que observam os candidatos durante a prova.
Em nota, a PF afirmou ainda que orientou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela prova, a ajustar junto à empresa contratada para a operacionalização do Enem “a confecção de uma listagem dos colaboradores e de um cadastro de reserva”.
Segundo a PF, trata-se de uma orientação de segurança, e não de uma determinação, afim de evitar que “pessoas desconhecidas, às vésperas do exame, lograssem participar da fiscalização do evento”.
O g1 procurou a Fundação Cesgranrio e o Inep, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
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