Empresa especializada em injeção de combustível investe em eletrificação e até ‘novo clássico’ Gol GTi deve se tornar elétrico


FuelTech pretende oferecer kits de conversão já a partir do ano que vem. Um dos primeiros será para o clássico Gol GTi de 1988. Kit de conversão de carro a combustão para elétrico
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Veículos elétricos serão cada vez mais presentes nas ruas nos próximos anos. Um sinal de que essa transformação está ocorrendo de forma acelerada é quando uma empresa especializada em sistemas de injeção de combustível compra uma startup que transforma veículos a combustão em elétricos e até um “novo clássico” como o Volkswagen Gol GTi pode entrar na jogada e virar elétrico.
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Isso acaba de acontecer no Brasil. A FuelTech, conhecida por preparar a injeção de veículos de alta performance anunciou a compra da também brasileira Energy Systems. O objetivo, segundo a companhia, é aumentar a participação nesse mercado, ainda pouco explorado por aqui.
Gol GTi ou GTE?
Volkswagen Gol GTI
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Mais do que isso: essa empresa quer transformar o Gol GTi de 1988 em carro elétrico já a partir do ano que vem. “Ele foi o primeiro a usar a injeção eletrônica, também vai ser o primeiro a ter a nossa conversão elétrica”, afirmou Leonardo Fontolan, diretor executivo da Fueltech.
O projeto também conta com a parceria da Weg, outra empresa brasileira, que produz motores elétricos de todos os tipos. A companhia, inclusive, trabalha junto com a Volkswagen no desenvolvimento do primeiro caminhão elétrico do país, o e-Delivery, já testado pelo G1.
Nesse formato de parceria, a Weg entraria com o fornecimento de motores e inversores, enquanto a FuelTech desenvolve os gerenciadores de bateria e centrais eletrônicas.
Gol GTi com motor elétrico deve entregar 60 cv a mais do que versão original
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Voltando ao Gol GTi, antes que os puristas reclamem de um GTi elétrico, Fontolan conta que as especificações planejadas superam às do modelo original de fábrica.
Serão 180 cv e 33 kgfm de torque, contra 120 cv e 18,4 kgfm do modelo original. O conjunto de baterias ainda não está definido. Por isso, não há uma estimativa sobre a autonomia.
Como as baterias também estão entre os componentes mais caros de um veículo do tipo, também não é possível estimar o preço.
“No caso do Gol, estamos fazendo o trabalho de ponta a ponta, chegando até o licenciamento. Para os carros que a gente quer vender o kit, ele já vai ser oferecido com a homologação para rodar”, disse Fontolan.
Além do Gol
A FuelTech também promete oferecer outros kits de conversão. Além daqueles para veículos específicos, a empresa quer vender pacotes que podem ser usados em mais de um modelo.
Esse movimento de converter carros a combustão em elétricos já existe no Brasil, mas ainda é pouco representativo.
Volkswagen Fusca elétrico
Divulgação/Volkswagen
Na Alemanha, por exemplo, a própria Volkswagen dá suporte a uma empresa que realiza a conversão de modelos como Fusca e Kombi em elétricos, como o G1 mostrou no último Salão de Frankfurt, em 2019.
Com a entrada da FuelTech no negócio, a disponibilidade da tecnologia pode ser maior no Brasil.
De acordo com a empresa, há cerca de 1.000 oficinas credenciadas em todo o país que podem ser qualificadas para realizar a conversão, que consiste na retirada do motor a combustão, na preparação da carroceria e na instalação de motor elétrico, baterias, gerenciamento e todo o cabeamento necessário.
Assim como nas concessionárias que realizam a manutenção de elétricos, as oficinas devem passar por adaptações para garantir a segurança dos mecânicos.
Elétrico brasileiro ainda não é realidade
Volkswagen e-Delivery
Marcelo Brandt/G1
Apesar de o Brasil já ter carros elétricos à venda, a produção local de um carro do tipo com alguma escala ainda não é uma realidade.
O mais próximo disso é a fabricação do e-Delivery, o caminhão elétrico da Volkswagen, que foi desenvolvido no país e começará a sair da linha de produção em Resende (RJ) no ano que vem. A própria Weg está envolvida nesse projeto. O G1 já testou o modelo.
Fora isso, Caoa Chery, Chevrolet, Nissan, Jac Renault vendem carros elétricos no Brasil. Todos chegam importados.
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