Em ‘Todas as mulheres do mundo’, Sophie Charlotte e Emílio Dantas fazem tributo a Domingos Oliveira


Série sobre arquiteto que se apaixona por mulher diferente a cada episódio, baseada em obra de cineasta brasileiro, estreia nesta quinta-feira (23) no Globoplay. Sophie Charlotte e Emílio Dantas em cena de ‘Todas as mulheres do mundo’
João Miguel Júnior/Globo
Levou cerca de 15 anos, mas a série “Todas as mulheres do mundo”, finalmente estreia nesta quinta-feira (23) no Globoplay — com exibição do primeiro episódio no mesmo dia na Globo.
Com Emílio Dantas e Sophie Charlotte como o casal de protagonistas, a produção é uma grande homenagem ao cineasta brasileiro Domingos Oliveira, que morreu aos 82 anos no começo de 2019.
Na história baseada no filme homônimo do diretor e em outras obras de sua longa carreira, Dantas interpreta Paulo, um arquiteto que se apaixona à primeira vista por uma mulher diferente em cada um dos 12 episódios da temporada
O ator conta que, para viver o personagem, foi se inspirar em Paulo José, protagonista do filme de 1966.
“O Paulo foi mais que um presente, foi um chamado, porque quando eu vi o ‘Todas as mulheres do mundo’ o que mais me chamou a atenção foi o quanto avançado o Paulo José criou ali, até para hoje em dia”, diz Dantas.
Apesar dos muitos amores, o arquiteto tem sempre na cabeça a bailarina Maria Alice, papel de Charlotte, considerada uma das musas de Oliveira. O peso de representar o cineasta e dramaturgo no projeto, no entanto, foi tranquilo para a atriz.
“Foi o trabalho que eu mais me libertei de responsabilidade (risos). Foram dias de muito prazer, de encantamento, de poesia”, afirma ela. “Eu curti. Eu aproveitei.”
‘Todas as mulheres do mundo’ tem Emílio Dantas e Sophie Charlotte; veja trailer
Domingos por Furtado
O papel de adaptar a obra de Oliveira ficou com o cineasta Jorge Furtado (“O homem que copiava”) e a roteirista Janaína Fischer (da série “Doce de mãe”), que se aprofundaram em sua carreira para o projeto.
“O texto era muito Domingos, mas também era muito Jorge e Jana”, conta o ator Matheus Nachtergaele, que interpreta Cabral, amigo de Paulo e um dos alter egos de Oliveira na série.
“Então muitas vezes eu estava gravando e chegava às lágrimas. Eu, Matheus, ali.”
A ideia desta nova versão de “Todas as mulheres do mundo” teve início há cerca de 15 anos, com o desejo de Furtado e de Oliveira de trabalharem juntos.
“Só que ele era um carioca da Barra raiz, e eu, um gaúcho que quase nunca saio daqui, e nunca rolou”, afirma Furtado.
O projeto andou finalmente a partir de um telefonema da atriz Maria Ribeiro, que teve uma amizade de mais de 20 anos com o dramaturgo. Com o tempo, os seis episódios viraram doze, com Paulo apaixonado por uma mulher diferente a cada um deles.
“Não tem mulherzinha ali, não tem nenhuma recatada e do lar. Essa é a lição do Domingos, de que todas as mulheres do mundo podem ser apaixonantes”, diz Furtado, sobre como não foi preciso atualizar a linguagem do dramaturgo.
A diretora artística da série, Patricia Pedrosa (“Shippados”), concorda. “Não teve um esforço de transformar a série uma narrativa feminista, porque a história já é sobre isso, sobre pessoas, mulheres diferentes, paixão.”
Emílio Dantas em cena de ‘Todas as mulheres do mundo’
Victor Pollak/Globo
Amor em tempos de pandemia
A equipe acredita que “Todas as mulheres do mundo” vai ajudar o público a se lembrar da importância da conexão entre as pessoas em tempos de pandemia do novo coronavírus.
Isolado em sua casa com a mulher, a também atriz Fabiula Nascimento, Dantas sente falta dessas relações.
“Eu e a Fabiola estávamos vendo vídeos que reúnem muitas pessoas, tipo flash mob. Eu botei aquele vídeo de pedido de casamento com a música do Bruno Mars, no qual o noivo bota a namorada no porta-malas do carro, e eu nunca chorei tanto”, brinca o ator.
O sentimento é compartilhado por Charlotte.
“Acho que é bom que a gente sinta saudade disso, sentir saudade da poesia, da beleza. Nunca me declarei tanto para os meus amigos. Esse pra mim era o modus operandi do Domingos. Ele estava sempre reafirmando a paixão pela vida, pelas pessoas, pelos amigos”, diz a atriz.
“A série nos lembra disso, de contatos, da importância do outro.”