Em 25 anos, oceanos absorvem calor de 3,6 bilhões de bombas atômicas

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<span class="credit_box ">Pixabay</span>
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Os oceanos absorveram nos últimos 25 anos o calor equivalente a explosão de 3,6 bilhões de bombas como a de Hiroshima, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (13) pela revista "Advances in Atmospheric Science".</p>
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Além disso, durante 2019, a temperatura dos oceanos foi a mais quente desde que esse tipo de registro começou a ser feito. Por esse motivo, o estudo afirma que o problema não só está aumentando, mas também crescendo em um ritmo mais rápido.</p>
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O texto assinado por 14 cientistas de 11 institutos de vários países do mundo indicam que as temperaturas mais quentes foram registradas entre a superfície do mar e os 2 mil metros de profundidade.</p>
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A última década, especialmente os cinco anos finais do período, foi a mais quente da história dos oceanos. Só no ano passado, a temperatura foi 0,075 graus Celsius mais alta que a média registrada no período entre 1981 e 2010, segundo o Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências em comunicado.</p>
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Os especialistas explicaram que, para atingir esse máximo de temperatura, os oceanos teriam que ter absorvido 228 sextilhões de joules de calor.</p>
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Para se ter uma ideia do que esse número representa, ele seria equivalente ao calor gerado pela explosão de 3,6 bilhões de bombas atômicas como a de Hiroshima, lançada pelos Estados Unidos contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial.</p>
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A comparação foi feita pelo professor do Centro Internacional de Ciências Climáticas e Ambientais da China, Lijing Cheng, principal autor do estudo.</p>
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Para ele, essa medição do calor nos oceanos é "irrefutável" e "mais uma prova do aquecimento global". Segundo o especialista, não há "alternativas razoáveis" para justificar a elevação das temperaturas oceânicas além das emissões de gases poluentes.</p>
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Os pesquisadores usaram um método relativamente novo de análise que permitiu estudar as tendências de calor dos últimos 50 anos. O estudo também inclui as mudanças de temperatura registradas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).</p>
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"Os conjuntos de dados independentes indicam que os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados para as temperaturas oceânicas mundiais", afirma a nota.</p>
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O pesquisador John Abraham, da Universidade de St. Thomas, nos Estados Unidos, diz que o aquecimento global é "real" e "está piorando".</p>
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"É só a ponta do iceberg do que está por vir. Por sorte, podemos fazer alguma coisa. Podemos usar a energia de maneira mais sábia e diversificar nossas fontes. Temos o poder de reduzir esse problema", afirmou o especialista americano.</p>
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Os cientistas destacaram que é possível trabalhar para reverter o efeito da atividade humana no clima, mas que o oceano levaria mais tempo para responder na comparação com os ambientes atmosféricos ou terrestres.</p>