Ellie Goulding dá um tempo no pop em novo álbum: ‘Precisava descobrir quem eu sou’


Cantora inglesa lança ‘Brightest Blue’, álbum mais pessoal da carreira. Ao G1, ela relembra vida como ‘anônima’ por 2 anos em Nova York mesmo após vender mais de 15 milhões de discos. Ellie Goulding lança ‘Brightest Blue’ e fala sobre novo álbum
Pela primeira vez em dez anos de carreira, Ellie Goulding diz que escreveu músicas como se fosse “uma artista”. Não como se fosse uma (ótima) compositora de músicas pop.
Nesta sexta-feira (17), a cantora inglesa de 33 anos lança um álbum com músicas sem a pretensão de serem “grandes baladas pop”. Em entrevista ao G1, por videoconferência, ela falou de seu novo trabalho, o primeiro em cinco anos.
E ele é duplo. “Brightest Blue” tem esse lado mais melancólico, menos pop. “EG.0”, o lado B, tem mais a ver com a Ellie que a maioria conhece: a voz de hits como “Burn” e “Love me like you do”, que a fizeram ter 15 milhões de discos vendidos e 5 bilhões de views no YouTube.
Veja os principais trechos da entrevista com Ellie Goulding.
G1 – Você vem dizendo que este álbum é sobre ‘se tornar uma mulher’, que ele é ‘muito pessoal’ e ‘fora da zona de conforto’. É por isso que você levou tanto tempo para gravá-lo?
Ellie Goulding – Sim, eu acho que esse álbum não poderia sair antes disso. Eu acho que ele precisava de alguns anos de auto-reflexão, de estar comigo mesma e descobrir quem eu sou. Mas, sabe, meu próximo álbum depois desse pode ser diferente de novo. Pode ser sobre outra coisa.
Mas eu pensei que esse álbum era importante pra mim e que, de fato, chegasse a um ponto de amor, paz e equilíbrio. Demorei muito tempo para chegar aqui. E acho que era importante pra mim expressar isso. E quis que minha história fosse sobre esse momento.
Ellie Goulding
Divulgação/Universal
G1 – Ele parece ter a mesma vibe do ‘Halcyon’, seu segundo disco. Mas, para mim, as músicas têm ainda mais raiva nelas, são ainda mais sombrias. Você concorda?
Ellie Goulding – Sim, eu acho que eu estava em uma fase em que eu podia ser um pouco mais indulgente, triste. Talvez eu esteja mais racional agora e olho para as coisas de um jeito diferente e tento ter mais resolução, em vez de ficar presa na dor, presa na tristeza, no coração partido. E eu era jovem, ainda era uma criança. Eu estava escrevendo as coisas do jeito que eu as entendia.
Eu não tinha uma perspectiva grande o suficiente. Mas às vezes escrever, pra mim, não necessariamente tem a ver ser sábia, saber sobre tudo, entender cada detalhe do comportamento humano.
Eu acho que uma das melhores coisas da composição é ainda falar sobre as coisas como se elas fossem misteriosas, de forma romântica. Existe, tenho certeza, uma explicação científica para cada coisa que você está sentindo. Mas às é tão legal escrever de uma forma romântica, cega. É como um poder. É bem pessoal, único.
G1 – É por isso que você primeiro prefere escrever sozinha, ter algo mais definido, antes de começar a trabalhar com outros produtores e compositores? É assim seu processo de criação?
Ellie Gouding – Na maioria das vezes, eu sinto algo que dispara um gatilho em mim, em minha mente, nas minhas memórias. Geralmente, eu tenho que sentir esse gatilho para meio que decidir puxar esses sentimentos que eu tinha naquele momento. O mais único em você é sua infância, seu gosto musical, o que seus pais ouviam… Acho que há coisas diferentes que com diferentes apelos para cada pessoa. Então, eu acho que é isso que forma a música que eu faço.
Eu sempre fui uma amante da música pop. A pop música que muda os limites, que continua impulsionando, fazendo mudar o som do pop. Eu sempre terei orgulho disso, porque há músicas que eu pensei que não teriam resposta das pessoas, como “Anything could happen”, e teve. Então, eu tenho que às vezes confiar na minha própria loucura.
Ellie Goulding
Divulgação/Universal
G1 – A gente tem muitas canções de amor, muitas músicas sobre términos de relação, sobre escapismo. E eu entendo que você está tentando ir além disso com este álbum… A música pop pode ser mais profunda, talvez? Isso faz sentido?
Ellie Goulding – Eu acho que o que você acabou de falar sobre músicas de amor e músicas de término, para mim, é o lado B, que se chama “EG.0”. E o lado A é bem o contrário, porque eu não queria que as músicas fossem o que as pessoas pensam como música pop.
Elas não pretendem ser singles, não têm a pretensão de ser grandes baladas pop. É só um conjunto de músicas que eu sinto… que são mais o que eu faço como artista, em vez de compositora pop, da habilidade de criar músicas pop.
G1 – Falando sobre o título e o conceito do álbum. Você poderia me dizer mais sobre a expressão ‘Brightest Blue’? Claro que eu entendi essa ideia de ser sobre o planeta, e também sobre se sentir triste… Poderia me falar mais desse título, do conceito?
Ellie Goulding – Sim, você está certo, na verdade. Ela fala demais sobre quem eu sou e no que eu acredito. Acho que essa cor representa a vida, o “blues”, ser triste, mas também tem a iluminação de um jeito que eu falo do “azul mais brilhante”.
Parece que você aceitou o seu destino e acho que é legal, como uma utopia, quando você começa a ter mais amor por si mesmo e sentir compaixão e harmonia. É uma coisa budista, não sei. Mas eu gosto do fato de o álbum soar esperançoso. Tem uma sonoridade de esperança.
Ellie Goulding faz show no palco Mundo do Rock in Rio 2019
Alexandre Durão/G1
G1 – Como foi cantar no Rock in Rio no ano passado. Como foi a experiência, porque foi como um convite de última hora?
Ellie Goulding – Eu amei e quis dar a todo mundo um pouco de diversão. Eu acho que as pessoas ficaram meio frustrados, eu acho, porque a Cardi B não estava lá…
G1 – Não, acho que não…
Ellie Goulding – Eu não consegui traduzir os relatos, mas eu tentei fazer tudo o que eu podia para fazer o show mais divertido possível, mais especular. E eu gostei muito que meus fãs foram até lá e eu também adorei ter a chance de tocar. Foi incrível, especial. Mas eu quero muito fazer um show em que eu possa cantar minhas novas músicas. Porque venho cantando as mesmas músicas há muito, muito tempo. [risos]
Ellie Goulding canta seu sucesso “Love me like you do” no Rock in Rio
G1 – Você tem uma turnê agendada para o Reino Unido no próximo ano. Como é lançar um disco e ter que esperar tanto tempo para sair em turnê? Você acha que vai ficar ansiosa?
Ellie Goulding – Eu não me sinto tão mal, na verdade, com isso. Eu estou tão animada em poder finalmente lançar músicas novas. É, com certeza, uma hora estranha de lançar música, mas também é uma época boa, porque acho que agora mais do que nunca a gente precisa de mais canções otimistas.
E também ter um álbum para ouvir. Eu quero apresentar meu álbum como um álbum, não como canções separadas… eu acho que ele vem como um só. Eu gosto da ideia das pessoas mais novas escutando um álbum inteiro, sabe? E que conta uma história, em vez de só um monte de singles, como no lado B.
Mas eu gosto das músicas pelo que elas são. E é por isso que resolvi lançá-las dessa forma. Geralmente, meus singles não necessariamente refletem minhas ideias como uma artista. Então, eu acho que sempre tive consciência disso.
G1 – A última vez que conversamos, você comentou sobre estar em Nova York, um pouco longe das redes sociais, tocando muito piano. Esta temporada em Nova York foi importante para fazer este álbum?
Ellie Goulding – Sim, com certeza foi. Eu acho que quanto mais fiquei lá, mais saudade de casa eu tinha… Meu marido, meu companheiro na época [o negociante de arte Caspar Jopling], ele estava trabalhando todo dia, tinha um trabalho o dia todo e eu pude ficar comigo mesma por muito tempo. Foi a primeira vez em que eu realmente tive uns dias de folga, umas semanas de folga.
Eu estava em um lugar, que era um lugar louco, onde havia tanta coisa acontecendo de uma vez só. Tinha tanta arte, cultura e música, comida. Foi um lugar tão legal para viver. Eu não acho que moraria lá por muito, muito tempo, acho que é excêntrico, sobrecarregado, muito estressante, mas também muito “cool” para se inspirar, porque tem muitas coisas para isso.
Ellie Goulding
Divulgação/Universal
G1 – Quanto tempo você ficou lá?
Ellie Goulding – Eu fiquei lá por dois anos. Estava curtindo não estar em casa. Eu senti que eu precisava fugir por um tempo e eu era bem anônima por lá também…
G1 – Como está a sua quarentena, o que você tem feito, e onde você está agora?
Ellie Goulding – Minha quarentena foi na maioria em Oxford, onde eu podia ter umas caminhadas em uma paisagem linda, correr, estar na natureza, sabe? Ficar com os animais, foi muito revigorante. Agora, estou de volta a Londres, tudo bem poluído, bem louco, mas também sentia a energia. Mas eu passei a maior parte no campo.
G1 – Como você pretende transpor as músicas do álbum para o ao vivo? É que nos arranjos tem um monte de coisa acontecendo, mudanças de rotação… Como transpor isso?
Ellie Goulding – Eu acho que vou me assegurar de que desta vez seja bastante simples. Acho que vou mudar a estrutura de palco, talvez não tenha sequer uma banda completa, talvez tenha músicos com instrumentos de corda. Eu devo tentar tocar piano ao vivo pela primeira vez. Eu acho que não levar um monte de gente comigo na turnê. Eu que seja o mais pró-meio ambiente possível. Quero que o som ao vivo seja bom, mas sem ter que contar tanto com a tecnologia desta vez.
G1 – Você só marcou os shows da turnê pelo Reino Unido. O que pode dizer sobre shows pelo mundo, pela América do Sul, quais seus planos?
Ellie Goulding – Assim que eu tiver o sinal verde, eu estarei aí. Eu estou desesperada para sair em uma turnê mundial de novo. Quero fazer isso mais usando trens, do que viajando em aviões. Só preciso ver como alguém vai me fazer atravessar o Atlântico. Mas eu adoraria voltar para a América do Sul, sair em turnê pela Europa e cantar em todos os lugares. Já faz um tempo e quero voltar aos palcos.
Antes do Lolla, Ellie Goulding fala de preparação para shows enérgicos