‘Ele simboliza o melhor de nós’, diz Regina Casé em fala emocionada sobre Paulo Gustavo; VÍDEO

‘Uma violência contra tudo que a gente tem de melhor’, disse a atriz. Outros grandes amigos, como Fábio Porchat, Caetano Veloso e Tatá Werneck, também gravaram mensagens. Regina Casé lamenta a morte de Paulo Gustavo
Em discurso comovente, Regina Casé falou nesta quarta-feira (5) sobre a perda do amigo Paulo Gustavo, que morreu na terça após 52 dias de luta contra a Covid.
Muito emocionada, a atriz – que discursou no casamento do humorista com o dermatologista Thales Bretas, em 2015 – disse que a morte simboliza uma “violência contra tudo que a gente tem de melhor”.
“É muito simbólico ele partir nesse momento. O Paulo Gustavo simboliza o quê? O trabalho honesto, a prosperidade pelo trabalho honesto. Ele simboliza teatros lotados, cinemas abarrotados, ele simboliza a bondade, a generosidade”, disse Regina Casé (leia a íntegra da mensagem abaixo).
A atriz lembrou de ações solidárias de Paulo Gustavo, como a doação de milhões de reais para compra de cilindros de oxigênio para o Amazonas e para a construção de um hospital para tratamento de câncer em Salvador.
“Quando faltou oxigênio no Amazonas, ele mandou R$ 500 mil de cilindro para lá. Ele nunca divulga essas coisas: 1,5 milhão para o padre Júlio Lancellotti, R$ 1 milhão e tanto para a irmã Dulce. Generosidade, bondade, o melhor da gente foi arrancado. Isso é muito violento. Ele significa, ele simboliza o melhor de nós. Todos esses valores que parece que não importam mais, nesse momento.”
Regina Casé também fez um agradecimento à toda a família de Paulo Gustavo, por ensinarem “a tantas famílias a amarem e aceitarem seus filhos sem preconceito, do jeito que eles são”.
Por fim, a atriz se declarou e disse que será difícil manter o otimismo no país sem o amigo.
Paulo Gustavo, eu te amo, te amo, te amo, te amo, te amo e te agradeço demais. A gente vai ralar para manter aquela ideia de que o Brasil é alegre, de que o Brasil é bom, de que o Brasil presta. Isso tudo eu não sei como é que a gente vai fazer sem você. Como é que a gente vai mostrar que o Brasil ainda presta, ainda vale a pena, ainda é alegre, ainda faz arte, cinema, teatro, como? Que a gente vai fazer isso sem você? Eu não sei se eu consigo, não sei mesmo. Eu estou muito triste. Eu, que sempre aposto na alegria, a sensação que eu tenho é a que eu perdi todas as minhas fichas para essa tristeza”.
Militância contra a Covid
Para quem convivia com o amigo brincalhão, era fácil entender de onde vinha tanta irreverência nos palcos. O que não tinha graça para Paulo Gustavo era ver o descaso com o avanço da Covid no país.
Em janeiro, ele publicou nas redes sociais o apelo dramático de uma mulher por oxigênio em Manaus: “Por favor, disparem esse vídeo para um monte de lugar. Não tem oxigênio. Muita gente morrendo. Quem tiver disponibilidade de oxigênio por favor, traga. Tem muita gente morrendo. Por favor, tem muita gente morrendo”, disse, antes de ele mesmo ajudar com doações.
Paulo Gustavo também militou pela vacina: “Gente, pelo amor de Deus, ajuda! Que tristeza. Cade a vacina, gente? Quem pode levar oxigênio lá?
Artista querido e reconhecido, comoveu o público ao lutar contra a doença que avança no pais. A família de Paulo Gustavo fazia questão de lembrar dos mais de 400 mil mortos em todos os boletins médicos sobre o ator.
Assim como Regina Casé, amigos como os atores Marcelo Adnet e Tatá Werneck e o músico Caetano Veloso se mostraram revoltados com a morte e com a falta de chance de o humorista ser vacinado.
Tatá Werneck: ‘É muito revoltante’
Tatá Werneck fala sobre o amigo Paulo Gustavo
“Perder um amigo é muito, muito difícil, perder um amigo como o Paulo é desesperador, é dilacerante. E perder o amigo para um vírus para o qual já existe uma vacina, é muito revoltante”, disse Tatá. “A vida do Paulo, que para a gente é fundamental, ela não é mais importante que a vida dessas 411 mil pessoas (…) Imploro a vocês que, por favor, olhem para essas dores e vão trabalhar de máscara, com álcool gel, com responsabilidade, distanciamento social, na medida do possível, claro. Não é hora de festejar, não sei que tanto há motivo para festa”
Caetano Veloso: ‘Já devia ter sido vacinado’
Caetano Veloso lamenta a morte de Paulo Gustavo
“A perda de Paulo Gustavo, pra mim, é uma coisa muito profunda na alma do brasileiro. Tem que vir uma resposta da alma brasileira à situação que nós estamos vivendo e da qual a morte de Paulo Gustavo é símbolo de grande intensidade. Paulo Gustavo já devia ter sido vacinado”, disse Caetano (veja no vídeo acima).
Porchat: ‘Pessoa mais engraçada que já conheci’
Fábio Porchat fala sobre a perda do amigo Paulo Gustavo
Fábio Porchat lembrou de como o amigo o fazia rir sempre, seja com sua obra ou com a amizade, nos encontros desde os tempos de Casa das Arte de Laranjeiras (CAL), onde estudaram juntos.
“É a pessoa mais engraçada que já conheci na minha vida. E não estou nem dizendo dos personagens, não. Estou falando ele pessoalmente, sentado na mesa do bar. Quando a gente saía junto era engraçado. Eu saía leve. Eu ria sem parar. Ele era engraçado contando as histórias dele, dos outros, interagindo com o garçom, comigo, com as pessoas. Estar com ele era isso, estar num ambiente que n]ao tinha como nada dar errado. Eu acho que é por isso que o Brasil sentiu tanto a perda dessa pessoa. Porque era um Brasil que deu certo. Paulo Gustavo era um Brasil que a gente quer. O Paulo Gustavo é a pessoa que mostrou pra gente que, apesar de tudo, d[a pra gente rir e ser feliz.”
Leia a íntegra da homenagem de Regina Casé:
“Eu queria vir falar sobre a partir do meu amigo, meu amor, Paulo Gustavo. Falando só coisas maravilhosas que ele fez, tantas, mas eu não consigo. Porque eu não acho que é só a tristeza. Tem também uma violência que não é só contra nós, que estamos perto deles, amigos e amores. Uma violência contra tudo que a gente tem de melhor. Tudo que o Brasil tem de melhor. É muito simbólico ele partir nesse momento. O Paulo Gustavo simboliza o quê? O trabalho honesto, a prosperidade pelo trabalho honesto. Ele simboliza teatros lotados, cinemas abarrotados, ele simboliza a bondade, a generosidade. O bem que esse cara… Quando faltou oxigênio no Amazonas, ele mandou R$ 500 mil de cilindro para lá. Ele nunca divulga essas coisas: 1,5 milhão para o padre Júlio Lancellotti, R$ 1 milhão e tanto para a irmã Dulce. Generosidade, bondade, o melhor da gente foi arrancado. Isso é muito violento. Ele significa, ele simboliza o melhor de nós. Todos esses valores que parece que não importam mais, nesse momento. Então, a tristeza é muito maior do que perder um amigo adorado, adorado e amado como ele é para mim. É muito mais do que isso. O Brasil acha que perdeu um comediante? O Brasil acha que perdeu um ator sensacional? Não. O Brasil perdeu muito mais do que isso. O Brasil perdeu a alegria, a honestidade, a generosidade, a prosperidade de um povo bom. É isso… que o Paulo significa.
Eu quero fazer um agradecimento. Quero agradecer enormemente à Déa Lúcia, mãe do Paulo, seu Júlio, pai dele, Ju, irmã, porque vocês, com o seu amor, ensinaram a tantas famílias a amarem e aceitarem seus filhos sem preconceito, do jeito que eles são. E olha quanto amor isso gerou. E quero agradecer ao meu amado Thales, marido do Paulo. Uma pessoa que eu admiro cada dia mais. Thales, com a família que você construiu com o Paulo, com o Romeu e com o Gael, você ensinou para tanta gente, vocês dois juntos, que eles podem ser felizes também, que todo mundo tem direito de ser feliz. Olha, o bem que vocês fizeram é enorme. Então, eu agradeço à Déa, agradeço ao seu Julio, agradeço à Ju, ao Thales… Vocês não têm ideia. Fora o bem que o Paulo fez, o bem que vocês fizeram.
Paulo Gustavo, eu te amo, te amo, te amo, te amo, te amo e te agradeço demais. A gente vai ralar para manter aquela ideia de que o Brasil é alegre, de que o Brasil é bom, de que o Brasil presta. Isso tudo eu não sei como é que a gente vai fazer sem você. Como é que a gente vai mostrar que o Brasil ainda presta, ainda vale a pena, ainda é alegre, ainda faz arte, cinema, teatro, como? Que a gente vai fazer isso sem você? Eu não sei se eu consigo, não sei mesmo. Eu estou muito triste. Eu, que sempre aposto na alegria, a sensação que eu tenho é a que eu perdi todas as minhas fichas para essa tristeza.”
No casamento de Paulo Gustavo e Thales Bretas, realizado em 2015 no Parque Lage, na Zona Sul do Rio, Regina Casé fez um discurso falando sobre a emoção de ver a união entre duas pessoas que se amam de verdade. A cerimônia não teve padrinhos nem madrinhas e contou com a presença dos pais dos noivos. Outros famosos como Juliana Paes e Fiorella Mattheis também estiveram na festa.
Artistas repercutem e lamentam a morte de Paulo Gustavo
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