Elba Ramalho é homenageada por cantoras da PB no aniversário de 70 anos: ‘força da mulher nordestina’

Mayana Neiva, Maria Kamila e Helloysa do Pandeiro contam como a artista se tornou inspiração e um exemplo de representatividade nordestina e feminina. Elba Ramalho é homenageada por cantoras da Paraíba no aniversário de 70 anos
“A voz dela marca a história do Nordeste no Brasil”. Com um tom de voz festivo e orgulhoso, esta foi a combinação de palavras e emoções usada pela atriz paraibana Mayana Neiva para começar a definir e descrever o legado da conterrânea Elba Ramalho, que completa 70 anos de vida nesta terça-feira (17), para a própria carreira e de outros talentos que têm como celeiro a Paraíba.
Elba nasceu em Conceição, município do Sertão paraibano, em 1951. Menos de 20 anos depois, subiu ao palco pela primeira vez e o reconheceu como seu lugar de fala. Desde então, se consolidou como sinônimo de Nordeste, de Paraíba e de inspiração para gerações guiadas pela obra que ela edificou.
Ao conquistar espaço e abrir caminhos no ramo musical para outras artistas do mesmo estado e região, ela se tornou e ainda é uma inspiração para diferentes gerações.
Nascidas em épocas e realidades diferentes, as cantoras paraibanas reconhecem em Elba Ramalho um norte. Não só bebem da mesma fonte musical, mas também comungam de uma bandeira igual: a cultura nordestina.
Ao G1, algumas delas compartilharam experiências com a cantora e contaram o que a figura de Elba representa (veja os depoimentos abaixo).
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‘Rompeu os preconceitos, a xenofobia, o machismo e a misoginia’
Para Mayana Neiva, no ar como Desirré na novela Tititi, Elba é um ícone a quem ela acompanha desde a infância. Como profissional, é a personificação de força, coragem e determinação.
“Elba, para mim, é uma deusa. Sem Elba, a música nordestina não seria a mesma. Eu não acho que tenha existido uma mulher antes dela que nasceu no Sertão e desbravou o Rio de Janeiro. E com todas as dificuldades rompeu os preconceitos, a xenofobia, o machismo e a misoginia daquela época”, destacou.
Mayana acredita que o pioneirismo de Elba funciona como espelho para mulheres paraibanas que sonham em construir uma carreira artística.
“É impressionante a ruptura que ela fez na história do estado, na história da música brasileira. Ela é a imagem viva da beleza da resistência, da força da mulher nordestina. Elba traz um feminino feroz, uma potência de voz, uma ousadia”, reforçou.
Em 2013, Elba e Mayana dividiram o palco do São João de Campina Grande, onde a cantora tradicionalmente se apresenta nas noites do dia 23 de junho. Juntas, cantaram sete músicas de Luiz Gonzaga. Um momento que ela não quer apagar da memória.
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Em 2021, quase 10 anos depois, Mayana se sente ainda mais próxima de sua inspiração. Prestes a iniciar a carreira como cantora, percebe não apenas semelhanças, mas ainda razões para se espelhar.
“Abriu o seu espaço, abriu caminho como atriz, como uma grande atriz, e depois como uma grande cantora que tem uma singularidade marcante, uma autenticidade, com a voz tão penetrante, com uma carreira que perpassa muitas gerações”, finalizou.
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Representatividade: ‘ouvia a voz de Elba na rádio, nas novelas, gerava uma identificação’
Maria kamila é uma das integrantes do grupo musical Os Gonzagas. Natural de Mamanguape, ela participou do The Voice Brasil em 2019, e lembra que ter contato com a música de Elba na TV e no rádio foi importante para a construção não apenas da profissional, mas também da mulher que ela se tornou.
“Eu era muito fã quando criança de muitas cantoras, mas eu não sabia de onde elas eram. Eu não sabia de onde era Cássia Eller, não sabia de onde era Marisa Monte e tantas outras que a mídia trazia pra gente enquanto vozes femininas. Mas eu ouvia a voz de Elba na rádio, nas novelas, gerava uma identificação porque eu sabia que ela era daqui”, recordou.
Quando escolheu trabalhar com MPB e entrar de vez no cancioneiro nordestino, a voz de Elba se tornou um guia.
“Ela é uma, senão a maior influência da música nordestina e brasileira deixada para as cantoras paraibanas. Deixa o legado de que a gente precisa levantar a bandeira e levar para aonde a gente for”, concluiu.
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‘Forró raiz’ e orgulho das origens no Palco do The Voice Kids
O nome artístico de Helloysa do Pandeiro já diz muito sobre a menina que é natural de Areia, no Brejo da Paraíba. Assim como Elba, ela não apenas canta, mas também toca um instrumento musical, o pandeiro.
Ainda jovem, com 14 anos, já segue os passos da aniversariante do dia e tem encantado o Brasil com os ritmos nordestinos, no palco do The Voice Kids, onde integra o time de Carlinos Brown.
Na primeira apresentação, cantou a música “O Canto da Ema”, que já foi gravada por Elba.
Doce e meiga, ela fez questão de deixar recado para Elba.
“Hoje é seu dia e quero lhe desejar muitas felicidades, muita paz, muita saúde. Que você continue sendo essa musa inspiradora para todos nós e continue a levar o legado da nossa cultura, do nosso forró raiz para o mundo inteiro”, desejou.
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