Egito faz uma parada com múmias do século 16 A.C. que serão transferidas de museu


As 22 múmias serão levadas ao Museu Nacional da Civilização Egípcia, onde serão exibidas. As peças serão levadas em cápsulas com nitrogênio, para garantir a preservação. Pedestres passam em frente a um cartaz que anuncia a parada em que serão exibidas 22 múmias na cidade do Cairo, no Egito, em 3 de abril de 2021
Mohamed Abd El Ghany/Reuters
O Egito fará neste sábado (3) uma parada pública pelas duas do Cairo em que serão exibidas 22 múmias que estão sendo de transportadas de um museu no Cairo para um outro na mesma cidade.
O comboio vai transportar 18 reis e 4 rainhas do Museu Egípcio, no centro do Cairo, para o Museu Nacional da Civilização Egípcia, que fica a cerca de 5 quilômetros de distância.
As vias serão fechadas para a passagem, às 18h45 do Cairo (13h45 de Brasília).
As peças vão ser transportadas pelas ruas marginais ao rio Nilo. A ideia da parada é criar um interesse entre turistas pelas antiguidades do país.
Imagem de 03 de abril de 2021 do obelisco de Ramsés II, no Cairo, que foi renovado
Mohamed Abd El Ghany/Reuters
Por causa das restrições impostas pela Covid-19, o turismo no Egito foi quase todo interrompido.
As 22 múmias foram colocadas em cápsulas especiais, preenchidas com nitrogênio, para garantir a proteção.
Segundo o arqueólogo Zahi Hawass, os veículos também foram escolhidos com cuidado para dar estabilidade aos artefatos.
“Escolhemos [levar as peças para] o Museu da Civilização porque queremos, pela primeira vez, mostrar as múmias de uma forma civilizada, educada, e não só para diversão, como era o caso do Museu Egípcio”, afirma Hawass.
Múmias descobertas em 1871
Essas múmias foram descobertas em 1871, em dois sítios arqueológicos (um deles, o templo de Deir Al Bahari, onde hoje fica a cidade de Luxor, e o outro, perto do Vale dos Reis, o principal local onde os reis eram enterrados no Egito antigo).
A mais antiga das 22 múmias é a de Seqenenre Tao, o último rei da 17ª dinastia, que reinou no século 16 A.C.. Acredita-se que Tao morreu de forma violenta.
A parada também inclui as múmias de Ramsés II, Seti I, e Ahmose-Nefertari.
Transporte com pompa
O museu que vai abrigar as peças fica em Fustat, que era a capital do Egito durante a dinastia Umayyad, que governou a civilização depois da conquista árabe.
Salima Ikram, um egiptólogo da Universidade Americana no Bairo, afirma que transportar as peças “com pompa” é uma forma de fazer justiça a elas.
“Esses são os reis do Egito, são faraós, e essa é uma forma de mostrar respeito”, disse ele.
A maldição dos faraós
Nas redes sociais há textos que relacionam o bloqueio do Canal de Suez e duas tragédias recentes no país (um acidente de trem e um incêndio) à “maldição dos faraós”.
A “maldição dos faraós” também foi mencionada pela imprensa por volta de 1920, após a descoberta da tumba de Tutancâmon, quando membros da equipe de arqueólogos morreram em circunstâncias misteriosas.
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