‘É hora de desmembrar o Facebook’, diz cofundador da rede social

Mark Zuckerberg fundou o Facebook com colega da Faculdade em 2004

Mark Zuckerberg fundou o Facebook com colega da Faculdade em 2004
REUTERS/Stephen Lam/Reuters – 30.04.2019

O cofundador do Facebook Chris Hughes publicou nesta quinta-feira (9) um artigo de opinião no jornal norte-americano New York Times. O ex-colega de faculdade de Mark Zuckerberg fez críticas à empresa e afirmou “É hora de desmembrar o Facebook”. 

“Somos uma nação com a tradição de controlar monopólios, não importa a intenção dos líderes dessas empresas. O poder de Mark Zuckerberg é sem precedentes e anti-americano”, escreveu Hughes.

Hughes caracteriza Zuckerberg como uma boa pessoa boa e gentil, mas faz uma ressalva. “Estou com raiva porque seu foco no crescimento o levou a sacrificar a segurança e a civilidade por cliques”, afirma.

A empresa não é a mesma que foi criada em um dormitório de uma das mais conceituadas universidade norte-americanas há 15 anos. Hoje, são mais de 2 bilhões de usuários. Cerca de 70% dos adultos norte-americanos usam mídias sociais e a grande maioria está nos produtos do Facebook. Mais de dois terços usam a rede social, um terço usa o Instagram e um quinto usa o WhatsApp.

Hughes se diz desapontado por não ter percebido, juntamente com a equipe do Facebook, que o algoritmo poderia alterar a cultura, influenciar as eleições e capacitar líderes nacionalistas.

“O aspecto mais problemático do poder do Facebook é o controle unilateral de Mark sobre a fala. Não há precedentes para sua capacidade de monitorar, organizar e até mesmo censurar as conversas de dois bilhões de pessoas”, afirma.

Ele cobra que Mark Zuckerberg seja responsabilizado e culpa o poder legislativo dos EUA de não se preocupar em garantir um mercado competitivo e a proteção dos usuários. Nem mesmo a multa de R$ 5 bilhões que a empresa deve receber em breve seria suficiente.

No ano passado, Zuckerberg depôs no congresso dos EUA para prestar esclarecimento após o vazamento de dados de 87 milhões de usuários pela consultoria política Cambridge Analytica. A repercussão do episódio não foi positiva e essa seria a intenção do executivo da rede social. Segundo Hughes, “os legisladores que o interrogaram foram ridicularizados por estarem muito velhos e sem contato para entender como a tecnologia funciona”.

“Precisamos de uma nova agência, com poderes do Congresso, para regulamentar as empresas de tecnologia. Seu primeiro mandato deveria ser proteger a privacidade.”

Hughes conclui que Mark Zuckerberg não poderá consertar o Facebook, mas acredita que o governo seria capaz de assumir essa responsabilidade.