E dá novamente Lalá, compositor folião que criou sucessos imortais para o Carnaval


Espirituosidade da obra do carioca Lamartine Babo contribui para a vitória da Imperatriz Leopoldinense no desfile da Série A com reedição de enredo de 1981. ♪ MEMÓRIA – E deu Lalá novamente no Carnaval do Rio de Janeiro em 2020! Com a reedição do enredo O teu cabelo não nega – Só dá Lalá, com o qual se sagrou bicampeã carioca no Carnaval de 1981, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense venceu o desfile da Série A e, em 2021, estará de volta ao Grupo Especial.
A vitória da escola do bairro carioca de Ramos fez jus tanto ao desfile arquitetado pelo já consagrado carnavalesco Leandro Vieira quanto ao passado glorioso de Lalá.
Para quem é folião de última hora, Lalá era o apelido carinhoso do compositor carioca Lamartine Babo (10 de janeiro de 1904 – 16 de junho de 1963), pioneiro folião que criou sucessos imortais do Carnaval carioca. Sucessos que conquistaram foliões de todo o Brasil pela espirituosidade que potencializou a leveza do desfile campeão da Imperatriz.
Lamartine começou a compor em 1915, ano em que fez a esquecível música Pindorama, e entrou em cena ao longo dos anos 1920 como profícuo compositor de músicas para o teatro de revista.
Contudo, o compositor entrou mesmo para a história a partir dos anos 1930, década em que forneceu repertório para o Carnaval, contribuindo para a consolidação e apogeu da marcha como gênero musical folião.
São da lavra de Lamartine as marchinhas O teu cabelo não nega (1932) – renegada com razão nas ruas e nos salões a partir do século XXI pelo teor racista de versos da letra – e Linda morena (1933), entre muitas outras.
Com o contemporâneo Ary Barroso (1903 – 1964), Lamartine Babo também demarcou território na era do rádio enquanto compôs músicas como a marchinha Grau dez (1935) e o samba-canção No rancho fundo (1931), ambientado ao longo dos anos em clima rural.
Sim, Lalá brilhou no Carnaval e fora dele. A valsa Eu sonhei que tu estavas tão linda – composta em parceria com o pianista Francisco Mattoso (1913 – 1941), apresentada em disco em 1941 e regravada no ano passado por Tim Bernardes para a trilha sonora da novela Éramos seis TV Globo (2019 / 2020) – é exemplo da inspiração polivalente de Lamartine.
Sem falar que são do compositor alguns dos maiores standards do repertório das festas juninas. Os arraiais Brasil afora teriam sido bem menos animados sem criações juninas de Lamartine como Chegou a hora da fogueira (1933) e Isto é lá com Santo Antônio (1934).
Enfim, só dava Lalá nas playlists dos anos 1930 e 1940. Não somente ele, é claro, mas Lamartine Babo permanece como um dos maiores compositores do Brasil em todos os Carnavais. A ponto de ter contribuído postumamente, com a verve dessa obra foliã, para mais um campeonato da Imperatriz Leopoldinense.