Documentário sobre Anthony Bourdain é criticado por usar inteligência artificial para recriar voz do chef

Críticos e jornalistas questionam uso de tecnologia em ‘Roadrunner: A Film About Anthony Bourdain’. Diretor afirma que Ottavia Bourdain, viúva do chef, concordou com técnica; ela nega. Assista ao trailer de ‘Roadrunner: A Film About Anthony Bourdain’
O diretor do documentário “Roadrunner: A Film About Anthony Bourdain”, sobre o chef Anthony Bourdain (1956-2018), está sendo criticado por usar inteligência artificial (IA) para recriar a voz do americano no filme.
Entenda:
A produção estreou nesta sexta-feira (16) em cinemas dos Estados Unidos;
em entrevista sobre o documentário à revista “New Yorker”, o diretor Morgan Neville afirmou que usou inteligência artificial para recriar a voz de Bourdain em três declarações dele ao longo do filme;
representantes da produção afirmam que foram usados cerca de 60 segundos de narração criada pela tecnologia;
críticos de cinema e documentaristas manifestaram em redes sociais posição contrária ao recurso. Um deles afirmou que parecia algo antiético;
à revista “GQ”, Neville disse que conversou com Ottavia Bourdain, viúva do chef, a respeito. “Eu chequei, sabe, com a viúva dele e com seu executor literário, apenas para me certificar que as pessoas ficavam tranquilas com isso. E eles disseram: ‘Tony ficaria de boa com isso. Eu não estava colocando palavras na boca dele. Apenas estava tentando trazê-las à vida”;
Ottavia, no entanto, respondeu à declaração no Twitter. “Eu certamente NÃO fui a pessoa a dizer que Tony ficaria de boa com isso”, escreveu ela.
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Tecnologia
À “GQ”, Neville explicou o processo usado pela tecnologia. “Alimentamos mais de dez horas da voz de Tony a um modelo de IA. Quanto maior a quantidade, melhor o resultado”, disse o diretor.
“Havia algumas frases que o Tony (Bourdain) escreveu que ele nunca falou em voz alta. Com a bênção de seu agente literário e de propriedades, usamos tecnologia de IA. Foi uma técnica moderna de narrativa que eu usei em alguns lugares nos quais achei que seria importante trazer as palavras de Tony à vida”, afirmou o cineasta à revista “Variety”.
No Twitter, alguns jornalistas e críticos questionaram a ética de usar a tecnologia sem avisar o público. Outros firmaram que era uma técnica fraudulenta e manipulativa.
Chef celebridade
O documentário usa gravações antigas de Bourdain e depoimentos de amigos e colegas para criar um retrato do chef, escritor e apresentador de televisão, que morreu aos 61 anos em 2018, na França.
Ele estava na França trabalhando em um novo episódio de seu programa na CNN, “Parts unknown”, no qual viajava pelo mundo explorando diferentes culturas culinárias. A série ganhou 5 prêmios Emmy.
Além de administrar as cozinhas de restaurante renomados de Nova York, Bourdain também ficou conhecido pelo programa “No reservations” e pelo livro best-seller “Cozinha confidencial – Uma aventura nas entranhas da culinária”, lançado em 2001 no Brasil.