Dia Nacional do Cerrado: bioma concentra espécies únicas e enfrenta desafios na preservação


Data, celebrada nesta sexta-feira (11), chama a atenção para região conhecida como ‘savana brasileira’. Vegetação ocupa 22% do território brasileiro. Cerrado no Distrito Federal
Renato Araújo / Agência Brasília
Celebrado nesta sexta-feira (11), o Dia Nacional do Cerrado chama a atenção para a importância de preservar o segundo maior bioma da América do Sul. No Distrito Federal, a vegetação de troncos tortuosos e casca grossa abriga a fauna e a flora consideradas essenciais para o equilíbrio ambiental brasileiro, mas que tem sofrido com queimadas (saiba mais abaixo).
De acordo com o biólogo Gustavo Araújo, o cerrado envolve uma biodiversidade ampla e ocupa 22% do território brasileiro. “Além da biodiversidade, tem a peculiaridade da diversidade de espécies de animais e vegetais endêmicas, que são aquelas espécies que só podem ser encontradas nesta região”.
Ainda de acordo com o especialista, o bioma está localizado “em uma posição geográfica específica” que favorece a relação com outras regiões.
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“A região faz conexão com outros biomas no nosso Brasil. É onde estão importantes animais polinizadores [que fazem parte do processo de reprodução da vegetação]. Plantas precisam desse local para seguir seu rumo.”
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Queimadas
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O Cerrado ocupa está presente no DF e em 12 estados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da ampla, cobertura, entre janeiro e agosto de 2020, foram registrados 21.460 focos de queimadas na região, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
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Apenas no DF, segundo o Corpo de Bombeiros, foram incendiados mais de 6,9 mil hectares de Cerrado e registradas 3.912 ocorrências de incêndios florestais.
Focos de queimadas no Cerrado
Queimadas naturais x queimadas criminosas
André Cunha, professor e pesquisador de ecologia e turismo da Universidade de Brasília (UnB), explica que a incidência de fogo no Cerrado “é um evento natural que evoluiu junto com o bioma há centenas de milhares de anos”. Segundo ele, no fim da temporada de chuvas – e também no início dela – muitas queimadas são provocadas pela queda de raios.
Mas o pesquisador aponta que as queimadas naturais não são tão severas quanto as queimadas criminosas. “As naturais ocorrem quando a umidade nas plantas ajuda a diminuir o alcance do fogo”, diz Cunha.
“Já as labaredas provocadas pelo homem, além de devastar a fauna e a flora, afetam o turismo e o comércio local, assim como a saúde da população”, explica o pesquisador.
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Corpo de Bombeiros do DF/ Divulgação
Aniversário do Cerrado reúne UnB, WWF e Greenpeace
O Instituto Cerrados promove o projeto “Elos do Cerrado” durante o mês de setembro. O evento reúne representantes da Universidade de Brasília (UnB) e das ONGs World Wide Fund for Nature (WWF) e Greenpeace em debates, pela internet, sobre a conservação do bioma.
O projeto também promove, até esta sexta-feira (11), uma exposição virtual que mostra as consequências do desmatamento e os casos de sucesso na preservação. Para acessar a programação completa, é preciso fazer um cadastro no site do evento.
O “Elos do Cerrado” é realizado pelo Instituto Cerrados em parceria com outras 16 instituições.
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