Delinha, voz sertaneja de Mato Grosso do Sul, morre aos 85 anos como a ‘Dama do rasqueado’


♪ OBITUÁRIO – Fosse o Brasil menos pautado pelo etnocentrismo carioca e paulistano, todo o país estaria lamentado a saída de cena da cantora Delanira Pereira Gonçalves (7 de setembro de 1936 – 16 de junho de 2022), a Delinha.
Morta na manhã de hoje, aos 85 anos, vítima de insuficiência respiratória enquanto dormia, Delinha foi uma das maiores vozes sertanejas dos estados de Mato Grosso e, sobretudo Mato Grosso do Sul, onde nasceu em Vista Alegre, distrito de Maracaju (MS).
Conhecida como a Dama do rasqueado, em referência ao gênero musical recorrente no repertório da artista, Delinha iniciou a trajetória artística nos anos 1950, década em que formou a dupla Délio & Delinha com o cantor e marido Délio José Pompeu (1925 – 2010), falecido há 12 anos.
Entre idas e vindas, a dupla – conhecida como o Casal de onças de Mato Grosso – deu voz a gêneros musicais associados ao universo sertanejo da região centro oeste do Brasil como o rasqueado, o chamamé, a guarânia e a cana verde. São ritmos vizinhos da música do Paraguai, país que faz divisa com Mato Grosso do Sul.
Com Délio, Delinha cantou repertório de autoria da dupla que destacou músicas como os rasqueados Malvada (1959), Prenda querida (1960) e Goianinha (1962), o arrasta-pé Triste verdade (1961) e o cana verde Louvor a São João (1961).
A dupla existiu até 2010, ano da morte de Délio. Depois, Delinha seguiu sozinha até a saída de cena.