De férias no Rio, Charlie Watts foi a Fla-Flu no Maracanã, onde anos depois foi ovacionado com o Rolling Stones


Em várias vindas à cidade, baterista deu autógrafos, comprou camisa tricolor e já até tocou, com outra banda, no Canecão. ‘É ótimo estar aqui’, disse a jornalistas. Ele morreu aos 80 anos. O baterista Charlie Watts, da banda inglesa The Rolling Stones chegando ao Hotel Copacabana Palace, zona sul do Rio de Janeiro, para apresentação da banda no Hollywood Rock, em abril de 1998
Alcyr Cavalcanti/Estadão Conteúdo/Arquivo
Charlie Watts foi ovacionado no Maracanã lotado, em 1995, ao ser apresentado por Mick Jagger durante show dos Rolling Stones. Não, no entanto, a primeira vez do baterista – que morreu nesta terça-feira (24), aos 80 anos – no então maior estádio do mundo. Em 1976, durante férias no Rio de Janeiro com a família, Watts esteve também do outro lado, na arquibancada, para assistir a um Fla-Flu.
Charlie Watts, baterista do Rolling Stones, morre aos 80 anos
FOTOS: relembre a carreira do baterista Charlie Watts
Watts, assim como outros integrantes da banda inglesa, desenvolveram uma simpatia pelo Fluminense. A relação é atribuída à jornalista tricolor Liège Monteiro, que foi a Londres há quase 50 anos, conheceu alguns músicos da banda e lhes apresentou o clube de Laranjeiras.
A cena é contada por Heitor D’Alincourt, do Flu-Memória, em um episódio que foi exibido no canal Premiere.
“Em 1976, o Charlie Wattts, baterista, vem aqui ao Rio. Ele vai a um Fla-Flu, aí ele vai a uma loja em Copacabana e é fotografado em uma loja em Copacabana comprando camisas do Fluminense, para ele, para a filha, vão ao Maracanã torcer para o Fluminense.”
Naquele ano, o Jornal do Brasil publicava que Watts e a esposa acompanhariam Mick Jagger e Bianca no carnaval carioca, em fevereiro. Em julho, ele retorna à cidade — sempre longe dos holofotes.
Show com quinteto no Canecão
Em 1992, o baterista voltou ao Rio. Não mais de férias, tampouco com os Rolling Stones. Era a turnê de sua banda de jazz, o Charlie Watts Quintet, para dois shows na extinta casa de shows Canecão, em Botafogo.
A expectativa de milhares de espectadores não se concretizou, e a turnê que continuaria por São Paulo acabou sendo interrompida.
Três anos depois, enfim, Watts se apresentaria no Maracanã — cidade pela qual ele já havia se apaixonado, como informava em 13 de maio de 1995 o mesmo Jornal do Brasil.
Charlie Watts dá autógrafos na porta do Hotel Copacabana Palace
Acervo/TV Globo
O show do Rolling Stones foi considerado um enorme sucesso. Várias publicações da época afirmam que Charlie Watts foi o mais aplaudido.
Assinatura no livro do Copacabana Palace
Depois do show, ele chegou a aparecer na varanda do seu quarto no Hotel Copacabana Palace, de roupão branco. Mais discreto que os demais, foi o primeiro a pedir café da manhã e comeu torradas pretas, acompanhada de café com leite.
Do lado de fora, deu autógrafos aos fãs e registrou sua assinatura também no Livro de Ouro do Copacabana Palace depois das performances em 1998 e 2006.
Autógrafo do Charlie Watts em livro do Copacabana Palace
Arquivo pessoal/Livro de Ouro do Copacabana Palace
Carismático, ainda que ensimesmado, Watts provocou duas cenas inusitadas na porta do Hotel Intercontinental.
A primeira quando ia deixar o local rumo ao aeroporto e foi aplaudido por um corredor formado por funcionários. A segunda, depois de um “bom dia” lacônico, quando admitiu a jornalistas que acompanhavam sua estadia: “É ótimo estar aqui no Rio”.
Autógrafo de Charlie Watts no livro do Copacabana Palace
Arquivo pessoal/Livro de Ouro do Copacabana Palace