Dani Black cria (novas) expectativas com singles de disco ao vivo que antecede álbum de estúdio


Cantor e compositor lança as músicas ‘Feitos de luz’ e ‘Temor estranho’, amostras do projeto autoral ‘Frequência rara’. Resenhas de singles
Títulos: Feitos de luz e Temor estranho
Artista: Dani Black
Compositor: Dani Black
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *
♪ Aposta da gravadora Som Livre em 2011, ano em que lançou o primeiro álbum como promessa de cantor e compositor sobressalente ao longo dos anos 2010, o paulistano Dani Black frustrou os anseios mercadológicos e cumpriu as expectativas artísticas iniciais.
Antecedido pelo EP SP ao vivo (2013), o segundo álbum de estúdio do artista – Dilúvio (2015), já editado por via independentes – corroborou o talento de Black com direito a dueto com Milton Nascimento na bela canção Maior.
Por prováveis contingências do mercado, o cantor atravessou a segunda metade dos anos 2010 sem álbum ou EP. Mas Black corre atrás do tempo e programa para 2020 as edições de dois discos com inédito repertório autoral.
Invertendo a ordem habitual da indústria fonográfica, o cantor primeiramente lança em abril Frequência rara ao vivo, disco com a gravação audiovisual do show captado em 2019 no Tucarena, na cidade de São Paulo (SP), com participações de Fabio Brazza, Maria Gadú (intérprete que apresentou Black em gravação ao vivo de 2010) e Mariana Nolasco.
Em um segundo momento, provavelmente no segundo semestre de 2020, Dani Black lançará o álbum de estúdio Frequência rara. Os discos têm repertórios similares, mas guardam sutis diferenças entre si, inclusive com músicas exclusivas de um e de outro.
Capa do single ‘Feitos de luz’, de Dani Black
Marcos Hermes
Duas músicas do álbum ao vivo, Feitos de luz e Temor estranho, aportaram esta semana no mercado em singles e vídeos com registros feitos sob a direção musical do tecladista Zé Godoy (também no baixo synth). Marcadas com o toque da bateria de Thiago Big Rabello e amplificadas pela guitarra do próprio Dani Black, ambas as músicas versam com certa densidade sobre dilemas existenciais.
Poetizando mergulho em “águas de mágoas”, a sinuosa Feitos de luz aponta o alcance vocal do cantor na subida da correnteza das notas agudas.
Já Temor estranho versa sobre autoconhecimento e, no primeiro dos quase cinco minutos da gravação, o timbre do autor-intérprete evoca o canto árido de Chico César, influência benéfica no cancioneiro do compositor (Lenine é outra influência que ecoou já no inicial álbum Dani Black, de 2011). Depois, a música segue por outros caminhos, com batida funkeada, até ganhar injeção de vitalidade pop aplicada pelo rap do convidado Fabio Brazza.
Gravado recentemente por Gal Costa, que jogou o samba Sublime na pista da disco music em gravação que abre o álbum A pele do futuro (2018), Dani Black inicia os anos 2020 com as expectativas iniciais cumpridas e outras que se descortinam com as edições simultâneas desses dois vigorosos singles autorais. A onda do compositor em Frequência rara se insinua forte.