Curta dirigido por jovem de Patrocínio ganha prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Caruaru


‘Minha Querida Ansiedade’ foi feito através de um financiamento coletivo como projeto final do curso técnico de cinema. Elenco principal de Minha Querida Ansiedade
Paulo Ernesto/Arquivo pessoal
“Minha Queria Ansiedade”, curta-metragem feito por um jovem de Patrocínio, ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Caruaru (PE). Como indicado pelo título, o filme trata do distúrbio de ansiedade por diferentes perspectivas.
O filme foi escrito e dirigido por Paulo Ernesto, de 28 anos, que é natural de Patrocínio e mora atualmente em São Paulo (SP). O projeto começou a ser desenvolvido em março de 2018 como projeto final para o curso de cinema do diretor. Já formado, atualmente ele trabalha em uma produtora, que fundou junto com uma colega de curso.
A ideia inicial do filme era falar sobre a ansiedade em jovens causada pressão do Enem e vestibulares. Ernesto contou que teve a ideia porque ele mesmo sofreu de ansiedade quando jovem. O primeiro passo para a realização do curta foi uma pesquisa com diversos jovens que estavam no Ensino Médio, assim como amigos e psicólogos.
Ernesto então percebeu que a ansiedade era um distúrbio que “chegava cada vez mais cedo” e que as preocupações dos jovens eram, muitas vezes, diminuídas pelos adultos ao redor, que já passaram pela situação.
Para ele, o objetivo do filme “não é resolver a ansiedade, mas descobrir formas de lidar com ela” e, com isso, que os adolescentes “pudessem se reconhecer”. Foi daí que surgiu a necessidade de personagens adultos no filme, para fazer um contraste com os pontos de vista da personagem principal, uma adolescente.
A partir de então, o projeto foi se desenvolvendo através de crowdfunding (projeto de financiamento coletivo), com parte da equipe de produção trabalhando voluntariamente no filme. As filmagens foram feitas no final do mesmo ano e todo o processo foi finalizado em março de 2019.
Ernesto contou que a distribuição de filmes ainda é um processo bastante difícil no Brasil e que pode durar até dois anos. Por isso, mesmo o filme tendo sido finalizado há mais de um ano, só agora ele está indo para premiações.
Como requerimento para participar em alguns festivais, o filme ainda não foi disponibilizado para o público oficialmente. No entanto, alguns destes festivais, que ocorrem pela internet devido à pandemia de Covid-19, estão disponibilizando os filmes participantes online.
Bem recebido pela crítica, o filme já participou de diversos festivais de cinema, inclusive em alguns internacionais. No Brasil, o filme foi para festivais como o de Jaraguá do Sul (SC), além ter sido exibido nos Estados Unidos, na Índia e na Argentina, todos países com forte cultura cinematográfica.
Mesmo assim, o auge veio com o Festival de Cinema de Caruaru, que ocorreu entre o final de agosto e início de setembro. O filme concorreu na mostra Adolescine do festival e ganhou os prêmios de Melhor Filme do júri da crítica e do público. Segundo o júri da crítica, o filme trata sobre um “tema urgente de adolescência”.
De acordo com Ernesto, com o bom recebimento pelo público e pela crítica e o final em aberto deixado pelo curta, existe a ideia para que uma sequência seja feita. Uma opção é um longa-metragem baseado no curta, ou até mesmo uma série, utilizando o curta como episódio piloto. No entanto, o diretor afirma que ainda não há nenhum plano e tudo está em aberto.
Para ele, o próximo passo é disponibilizar o filme em alguma plataforma de streaming, como o YouTube e o Vimeo. Ele também está finalizando outro curta, este uma comédia-romântica sobre relacionamentos no século XXI.
Natural de Patrocínio e também tendo morado em Uberlândia, ele conta que pretende gravar dois projetos na região do Triângulo Mineiro, para tratar sobre os estereótipos da região.
Paulo Ernesto também deixou uma mensagem para os espectadores. Confira:
Mensagem de Paulo Ernesto