Cursinhos apontam menor grau de dificuldade e destacam contextualização na 1ª prova do vestibular da Unicamp 2021


Instituições afirmam que foram utilizadas questões básicas e menos polêmicas. Prova exigiu leitura crítica sobre política, economia, cultura. Primeira fase terá segundo dia na quinta-feira. Unicamp aplica primeiro dia de provas do vestibular 2021
Giuliano Tamura/G1
A contextualização de temas que foram recorrentes em 2020, com destaque para a pandemia da Covid-19, foi apontada por três cursinhos ouvidos pelo G1 como a principal característica da primeira prova da 1ª fase do vestibular da Unicamp 2021, aplicado nesta quarta-feira (6). O exame deste ano também teve grau de dificuldade menor se comparado com edições anteriores, apontam os professores.
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“A abordagem de temas atuais é um padrão das provas de vestibulares da Unicamp. A diferença observada neste ano está no nível de contextualização dessas questões em diversas áreas do conhecimento”, explica o diretor-adjunto das Unidades Escolares do Poliedro, Luís Gustavo Megiolaro.
Para ele, a Unicamp conseguiu “linkar” esses assuntos que foram acompanhados pelos alunos ao longo do ano com disciplinas diversas. Dentre as temáticas, Megiolaro destaca a mulher, o feminismo, o caso da Cervejaria Backer em Belo Horizonte, o desmatamento e, principalmente, a Covid-19
Se as questões de atualidades ficaram aparentes no exame, como é de costume desde os anos anteriores, os cursinhos concordam que o grau de dificuldade da prova mudou. Ele foi menor neste ano.
“O aluno não teve grandes dificuldades. O diretor, José Alves, já havia chegado a dizer: ‘Pegue as questões mais fáceis dos últimos anos da Unicamp; esse tenderá a ser o nível da prova neste ano’. E a gente encontrou, na maioria das matérias, esse nível de questão”, diz o diretor do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, Daniel Cecílio.
Para Cecílio, a exceção ocorre nas provas de literatura, gramática e interpretação de texto. “Foram mais sofisticadas, exigentes, mas não podemos dizer que foram difíceis, apenas não foram triviais como a maioria das outras disciplinas”, opina.
Cecílio apontou, no entanto, uma incompatibilidade na questão 40, de física. O professor da disciplina, Rodrigo Araújo, explica que a Unicamp fez uma revisão do conteúdo programático por conta da pandemia e foi removida a ondulatória, assunto que foi cobrado nesta questão.
“Mas o grande problema dela [questão 40] é que, além disso, ela exigia o uso de um dado que não foi oferecido no enunciado, que é a velocidade da luz. É um dado amplamente usado na física, mas o aluno não é obrigado a decorar. É opcional, mas é de bom grado, é comum, padrão eles oferecerem esse dado no enunciado. Então, para resolver essa questão, o aluno teria de ter decorado o valor da velocidade da luz no vácuo. Essa coisa de decorar um dado vai de contra com o que a Unicamp disse que faria”.
O G1 procurou a assessoria da Comvest, que informou que irá encaminhar a questão para a banca responsável.
Avaliação por disciplinas
O G1 questionou os cursinhos sobre o nível de dificuldade de cada área do conhecimento que fora testada nos estudantes, além do que era necessário para o estudante responder as questões. Para Megiolaro, humanas e linguagens exigiram muita leitura e interpretação dos candidatos.
A interpretação, segundo ele, também era requisito em química – que teve até maior teor interpretativo do que contas para serem feitas. Em física, os assuntos estavam básicos e, em biologia e geografia, foi forte o uso de gráficos e imagens.
“A prova de matemática tinha questões bem distribuídas entre fácil, leve e difícil, com algumas questões mais complicadas de geometria para alguns alunos. Uma prova que conseguiu abordar conteúdos essenciais e mais básicos”, avalia.
Questionado sobre o nível de exigência menor na prova deste ano, o coordenador e professor do Objetivo, Raul Neto, concorda com a afirmação. Apesar disso, opina que a Comvest manteve as principais características de seu processo seletivo.
“Uma avaliação baseada em análises e reflexões, sendo permeada por temas atuais que circundaram o cotidiano do aluno em 2020. Dessa forma, a prova cobrou uma leitura crítica sobre áreas como política, economia, cultura e sociedade. Observamos que as temáticas atuais estiveram presentes nas mais diversas disciplinas dando uma feição bastante progressista a avaliação”, diz.
Esquema especial
A Unicamp preparou um esquema especial para aplicar as provas da 1ª fase do vestibular 2021, com propósito de atender às regras de biossegurança contra o novo coronavírus. Haverá uso recorde de salas para as avaliações e foram feitas compras de 2 mil litros de álcool em gel e de 25 mil máscaras de proteção para os fiscais e profissionais de apoio na aplicação do exame.
Conteúdos
Em virtude da pandemia, a Unicamp dividiu a logística em dois dias para reduzir o risco de transmissão da doença. Além disso, foi definida redução na quantidade de questões testes – de 90 para 72, com tempo máximo de quatro horas, ao invés das cinco estipuladas em anos anteriores.
A lista de livros obrigatórios também foi alterada e passou de 12 para sete, com objetivo de garantir que os candidatos pudessem acessar todos os títulos em meio à crise sanitária para estudar.
Em cada dia, a prova é composta pelas seguintes questões:
12 de língua portuguesa e literatura;
12 de matemática;
8 de cada disciplina: biologia, física, geografia/sociologia, história/filosofia, inglês e química.
Lista de obras literárias
Sonetos escolhidos, de Camões;
Sobrevivendo no Inferno, do grupo Racionais Mc’s;
O Espelho, de Machado de Assis;
O Marinheiro, de Fernando Pessoa;
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida;
O Ateneu, de Raul Pompeia;
Sermões, de Antonio Vieira.
Foram excluídas desta edição as seguintes obras literárias: A teus pés; O seminário dos ratos; História do cerco de Lisboa; Quarto de despejo; A cabra vadia.
Logística
As provas ocorrem em 37 cidades, entre elas, 32 de São Paulo e cinco capitais de outros estados.
São Paulo
Araçatuba, Barueri, Bauru, Botucatu, Bragança Paulista, Campinas, Fernandópolis, Franca, Guarulhos, Indaiatuba, Jundiaí, Limeira, Lorena, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárbara D’Oeste, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Sumaré e Valinhos.
Outros estados
Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Salvador (BA).
Cursos mais disputados
Neste ano, os dez cursos mais procurados pelos candidatos são: medicina, arquitetura e urbanismo; ciências biológicas; comunicação social-midialogia; ciência da computação; engenharia da computação; farmácia; história; ciências econômicas e enfermagem.
O total de vagas nesta edição inclui as 639 oportunidades que estavam previstas inicialmente no edital Enem-Unicamp, que deixou de ser oferecido para ingresso no próximo ano por causa do “calendário incompatível” com o cronograma definido pelo Ministério da Educação (MEC).
Calendário Vestibular Unicamp 2021
1ª fase: 6 e 7 de janeiro
Divulgação dos aprovados na 1ª fase: 29 de janeiro
2ª fase: 7 e 8 de fevereiro
Provas de habilidades específicas (exceto música): 11 e 12 de fevereiro
Divulgação da primeira chamada: 10 de março
Comissão de averiguação virtual dos convocados cotas étnico-raciais da primeira chamada/Solicitação e divulgação do resultado de recurso dos convocados em primeira chamada de cotas étnico-raciais: 11 de março
Matrícula presencial da primeira chamada, nas unidades de ensino: 15 de março
Início das aulas: 15 de março
Confira calendário completo