‘Cruella’ tem grandes atuações e visual fantástico, mas perde força com história exagerada; G1 já viu


Disney consegue uma de suas melhores adaptações baseadas em seus clássicos animados em filme que estreia em cinemas nesta quinta-feira (27). Com resultados variados até o momento, a Disney consegue com “Cruella” uma de suas melhores adaptações com atores baseadas em seus clássicos animados.
O filme sobre a origem da vilã de “101 dálmatas” (1961) quase se perde logo no começo com uma história instável e exagerada, é verdade.
Mas se recupera aos poucos com visuais – figurino, maquiagem e cabelo – impecáveis e atuações certeiras encabeçadas pelas Emmas: Stone (“La La Land: Cantando estações”) e Thompson (“MIB: Homens de Preto – Internacional”).
A produção estreia nesta quinta-feira (27) em cinemas. Na sexta-feira (28), chega também à plataforma de vídeos Disney+, onde poderá ser assistido no acesso premier pelo preço de R$ 69,90.
Assista ao trailer de ‘Cruella’
Ela antes de Cruella
“Cruella” é uma história de origem padrão, que retrata as dificuldades de uma jovem órfã nas ruas da Londres de 1970 e sua busca por vingança contra uma poderosa estilista ao mesmo tempo em que tenta encontrar seu lugar no mundo da alta moda.
A trama tem início na infância da protagonista, época em que apresenta alguns de seus momentos mais absurdos. Por sorte, a coisa melhora com a maturidade da personagem, momento em que Emma Stone assume o comando.
Acompanhada de uma versão mais humanizada dos capangas da animação, Jasper (Joel Fry) e Horácio (Paul Walter Hauser), a atriz usa de seu humor ácido característico, que combina muito bem com a inocência malandra dos colegas, para enriquecer a formação da futura vilã.
O trio ainda é acompanhado do chihuahua Wink, que consegue a proeza de, em um filme do universo cinematográfico de dálmatas, roubar todas as atenções.
Emma Thompson em cena de ‘Cruella’
Divulgação
Emma vs. Emma
Thompson até consegue passar um pouco de dignidade à grande vilã do filme, a Baronesa.
Através dela e de suas maldades, o filme chega a surpreender quem espera algo bobinho e infantil e entrega sequências mais sombrias do que a média para uma história da Disney.
Infelizmente, nem mesmo uma atriz do calibre da veterana britânica consegue erguer a personagem muito além da malevolência cartunesca do roteiro, que imprime nela apenas uma nova versão do que a própria Cruella virá a ser – com toques inevitáveis da Miranda Priestly de “O diabo veste Prada” (2006).
Emma Stone em cena de ‘Cruella’
Divulgação
Voando nas passarelas
Se exibe sinais de fraqueza no enredo, “Cruella” brilha exatamente nos setores visuais. Ao misturar a indústria da moda da Londres da década de 1970 com um clima punk e urbano, o filme entrega tudo aquilo que se esperaria da maior estilista das animações da Disney.
As roupas pensadas pela figurinista Jenny Beavan, ganhadora de Oscars por “Uma janela para o amor” (1985) e “Mad Max: Estrada da fúria” (2015), são deslumbrantes e roubam um pouco do protagonismo até em cenas fora das passarelas e ateliês.
A soma delas com maquiagens e cabelos detalhistas e uma trilha sonora que honra a ambientação – apesar de alguns deslizes pouco sutis com muitas e muitas referências a cães – eleva o produto final.
Joel Fry, Paul Walter Hauser e Emma Stone em cena de ‘Cruella’
Divulgação
Com isso, “Cruella” consegue ir além dos espetáculos de efeitos visuais sem muito conteúdo das adaptações de clássicos animados do estúdio.
Tudo bem. Considerando a competição, isso não é tanta coisa. Basta lembrar das tristezas recentes de uma “Mulan” (2020) ou até do esquecível “O rei leão” (2019).
Mas, entre altos e baixos, um elenco muito bem escalado e realizações técnicas notáveis, a vilã deve ter um futuro garantido nos cinemas.