Criador da web vai leiloar código-fonte de sua invenção como NFT


Será a primeira vez que Tim Berners-Lee, programador responsável pela origem da World Wide Web, conseguirá ganhar dinheiro diretamente com sua invenção. Tim Berners-Lee, o “pai” da internet.
Creative Commons
Tim Berners-Lee, o programador inglês responsável pela invenção da World Wide Web, vai vender o código-fonte por trás da rede mundial de computadores.
São 9.000 linhas de códigos que serão leiloadas no final deste mês pela Sotheby’s como um NFT – “non fungible token” em inglês, ou token não fungível.
Os tokens não fungíveis são certificados de propriedade vinculados a um produto digital, seja uma imagem, vídeo, animação, foto, som ou texto.
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O leilão representará a primeira vez que Berners-Lee poderá ganhar dinheiro diretamente com sua invenção.
O código-fonte responsável pela rede mundial de computadores e seu primeiro navegador foi concebido e programado por Berners-Lee entre 1989 e 1991, mas nunca foi patenteado.
O material foi disponibilizado gratuitamente em domínio público pelo Cern, o laboratório de física de partículas na Suíça onde o cientista britânico trabalhava na época. Isso permitiu que a tecnologia fosse adotada amplamente.
A proposta de Berners-Lee com a World Wide Web era oferecer uma maneira de vincular diferentes partes de informações armazenadas na internet por meio de hiperlinks.
Sua ideia serviu como base para a maneira que usamos a rede hoje em dia.
A Sotheby’s irá leiloar uma coleção de quatro itens diferentes como um único NFT. São eles: os arquivos com registro de data e hora originais do código-fonte escrito para o projeto, uma visualização animada desse código, uma carta de Berners-Lee sobre o processo e um pôster digital do código criado por ele.
A casa de leilões diz que deseja que o maior número possível de pessoas participe do leilão, por isso iniciou os lances com preços baixos, de US$ 1.000 (R$ 5.075, na cotação atual), que poderão ser feitos entre 23 a 30 de junho por meio de seu site.
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A palavra-chave dos NFTs é “fungíveis”: uma coisa que pode ser substituída por outra da mesma espécie. Portanto, o “não fungível” é único.
NFT é um selo digital associado a um item que garante a sua autenticidade.
Embora outras pessoas ainda possam baixar e copiar arquivos digitais infinitamente, os NFTs fazem sucesso porque algumas pessoas querem ser donas da obra original.
O segredo é comparar a colecionadores de obras de arte. Qualquer pessoa pode baixar para o seu computador ou celular uma imagem de “Guernica”, de Picasso, ou a “Mona Lisa”, de Da Vinci. Mas só uma pessoa pode ter o status e o prazer de ser a dona do quadro.
O NFT leva essa escassez – possibilidade única de propriedade – para a obra digital.
Os tokens únicos são registrados na blockchain, ou “cadeia de blocos”, que funciona como uma espécie de grande “livro contábil” digital que computa vários tipos de transações e tem registros espalhados por vários computadores.