Coronavírus: por que Dinamarca isolou áreas do país e abaterá 17 milhões de visons


País detectou casos de uma cepa mutada de Covid-19 que passa dos animais para seres humanos e podem prejudicar vacinas futuras. Existem mais de mil fazendas de visons na Dinamarca
Reuters
Autoridades da Dinamarca disseram que isolarão áreas do país por causa de uma mutação do coronavírus Sars-CoV-2 encontrada em visons que pode se espalhar para humanos.
Até 17 milhões de visons serão abatidos na Dinamarca por causa da nova cepa encontrada em fazendas de visons.
O governo alertou que a eficácia de qualquer vacina futura pode ser afetada pela mutação.
Bares, restaurantes, transporte público e todos os esportes internos públicos serão fechados em sete municípios da região de Jutlândia do Norte.
As restrições entram em vigor a partir desta sexta-feira (06/11) e devem durar inicialmente até 3 de dezembro.
A Dinamarca é o maior produtor mundial de pele de vison, e exporta principalmente para China e Kong-Kong.
A polícia disse que o abate começou no mês passado.
Casos de coronavírus foram detectados em 270 fazendas de vison na região de Jutlândia, no norte da Dinamarca, onde foram encontrados pelo menos cinco casos da nova cepa de coronavírus.
Doze pessoas foram infectadas, disseram as autoridades.
A primeira-ministra Frederiksen descreveu a situação como “muito, muito séria”.
Ela citou um relatório do governo que afirma que o vírus mutante enfraquece a capacidade do corpo de formar anticorpos, tornando potencialmente ineficazes as vacinas em desenvolvimento para o Covid-19.
“Temos uma grande responsabilidade para com nossa própria população, mas com a mutação que agora foi encontrada, temos uma responsabilidade ainda maior para com o resto do mundo”, disse ela em entrevista coletiva.
Desde o início da pandemia, a Dinamarca registrou 52.265 casos de Covid-19 e 733 mortes, segundo dados da Johns Hopkins University, nos EUA.
Por que o vírus nos visons pode comprometer vacinas
Por Helen Briggs, correspondente da BBC para o Meio Ambiente
Mais de 50 milhões de visons por ano são criados para uso de suas peles, principalmente na China, Dinamarca, Holanda e Polônia. Surtos foram relatados em fazendas de peles na Holanda, Dinamarca, Espanha, Suécia e Estados Unidos, e milhões de animais tiveram que ser sacrificados.
Visons, assim como seus parentes próximos, os ferrets, são conhecidos por serem suscetíveis ao coronavírus e, como os humanos, podem apresentar uma variedade de sintomas, desde nenhum sinal de doença até problemas graves, como pneumonia.
Os visons foram infectados ao pegarem o vírus de humanos. Mas um verdadeiro trabalho de detetive genético mostrou que, em um pequeno número de casos, na Holanda e agora na Dinamarca, o vírus parece ter ido no sentido contrário, dos visons para os humanos.
A grande preocupação de saúde pública é que qualquer mutação no coronavírus que passa entre o vison e os humanos pode ser suficiente para impedir que as vacinas humanas funcionem, se e quando estiverem disponíveis. Alguns cientistas agora estão pedindo a proibição total da produção de visons, dizendo que isso compromete nossa resposta e recuperação da pandemia.
Animais de mais de mil fazendas dinamarquesas serão abatidos, uma tarefa descrita pelo chefe de polícia do país como “muito grande”.
A Espanha abateu cem mil visons em julho, depois que casos foram detectados em uma fazenda na província de Aragón; dezenas de milhares de animais foram abatidos na Holanda após surtos em fazendas locais.
Estudos estão em andamento para descobrir como e por que os visons foram capazes de pegar e espalhar a infecção.
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