Conheça o locais de Niterói onde Paulo Gustavo nasceu, viveu e revelou como cenário de seus filmes


Entre os locais está a padaria que ele mostrou no filme ‘Minha mãe é uma peça 2’. Ex-vizinhos lembram da trajetória de Paulo Gustavo na cidade. Ator viu os primeiros anos de sua vida passarem na Travessa Professor Coelho Gomes, na frente à Praia de Icaraí. Paulo Gustavo, caracterizado como Dona Hermínia, caminha ao lado da personagem de Alexandra Richter no calçadão da Praia de Icaraí em cena do filme “Minha mãe é uma peça 2”, de 2016.
Reprodução/TV Globo
“Fale de sua aldeia e estará falando do mundo”. Desde muito cedo, Paulo Gustavo parece ter entendido a afirmação feita pelo escritor russo, Lev Tolstoi. Neste caso específico, o ator e roteirista fazia o papel de cronista e Niterói era a sua aldeia.
Paulo e a capital do antigo Estado do Rio de Janeiro eram indissociáveis. Tanto que as histórias do personagem que catapultou sua carreira – Dona Hermínia, cópia fiel da mãe, Déa Lúcia – são ambientadas em Niterói.
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VÍDEOS: a mãe como inspiração
A quantidade de referências à cidade não é mero acaso. Nascido e criado na cidade, Paulo viu os primeiros anos de vida passarem na Travessa Professor Coelho Gomes – estreita via localizada em frente à Praia de Icaraí, entre as ruas Álvares de Azevedo e General Pereira da Silva, Zona Sul do município.
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Travessa em Icaraí, Niterói, onde morava Paulo Gustavo
Carlos Brito
“O Paulo cresceu brincando com meus filhos. Na verdade, ele tinha apenas dois anos a mais que o meu filho mais velho. Sempre foi desse jeito – brincalhão, divertido, fazia todos rirem. Era impossível estar perto dele e continuar sério”, relembrou o comerciante aposentado Vasco Borges, que era vizinho da família.
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Ele também guarda recordações de Déa Lúcia. Até hoje, fica impressionado com a caracterização que o ator fez da própria mãe.
“A primeira vez que vi o personagem da Dona Hermínia, quase não acreditei. É a Déa de cima a baixo. O jeito de falar, a voz, os trejeitos. Ele conseguiu copiar a mãe em todos os detalhes, o que mostra o quanto era talentoso”.
O curso de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, o investimento na carreia e o sucesso gradual conquistado na vida profissional aos poucos afastaram Paulo da Travessa Professor Coelho Gomes. No entanto, quem ainda vive lá nunca se esqueceu dele.
Sobretudo nos últimos dias, quando a Covid-19 o levou à internação no Hospital Copa Star de onde infelizmente não sairia com vida.
“Acompanhamos tudo, desde o início da internação. Sofremos a distância. O que aconteceu foi uma perda enorme. Ele vai fazer falta para sempre”, lamentou Vasco.
Vida niteroinense
Padaria onde ele ia e que mostrou em seus filmes
Carlos Brito
O sucesso retirou Paulo Gustavo do local onde teve seus anos de formação – mas ele não foi para muito longe.
O ator e a mãe passaram a viver em um edifício na Rua Moreira César, quase na esquina com a Rua Miguel de Frias, a pouco mais de duas quadras do endereço original.
Dali, mantinha o hábito de sair para lanchar, almoçar ou jantar na Confeitaria Beira-Mar – fundada em 1942, uma das mais antigas de Niterói.
“Ele cresceu aqui, neste salão. Adorava a sopa de queijo, era um dos pratos preferidos dele. Sempre muito simpático, gentil e engraçado. Os funcionários o adoravam”, recordou Roosevelt Oliveira, gerente da Beira-Mar e funcionário da casa há 26 anos.
Campo de São Bento, em Icaraí, também apareceu nos filmes do ator
Carlos Brito
Nos últimos tempos, os compromissos profissionais e o fato de não morar mais na cidade fizeram com que as idas à confeitaria fossem cada vez mais raras.
“Mesmo assim, o Paulo ainda aparecia aqui às vezes. Em outras ocasiões, ligava para pedir que entregássemos os pratos em casa. Mas ele sempre gostou da Beira-mar. Tanto que nos colocou no filme”.
Praia de Icaraí também foi cenário de filmes
Carlos Brito
Roosevelt faz referência a “Minha mãe é uma peça 2”, produção de 2016 que tem cenas gravadas na confeitaria.
Era mais uma das várias locações que faziam o cinéfilo niteroiense sorrir no escuro das salas de exibição. As aventuras da Dona Hermínia sempre tiveram a cidade como pano fundo.
Paulo Gustavo e a mãe, Déa Lúcia.
Reprodução/Instagram
O Campo de São Bento, o calçadão da Praia de Icaraí, a orla da Boa Viagem. Várias paisagens de Niterói servem de cenário para as tramas da mãe histriônica, super protetora e divertida.
Para Vasco Borges, isso explica a relação permanente que Paulo Gustavo manterá com a cidade, mesmo depois de ter partido.
Ilha de Boa Viagem em Niterói
Carlos Brito
“Ele sempre levou Niterói com ele. Nós, niteroienses, sempre vamos levá-lo conosco”.
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Nascido e criado na cidade, o ator costumava usar locais do município – como o Campo de São Bento, o calçadão da Praia de Icaraí, a orla do bairro Boa Viagem – como cenário de suas produções.
O ator morreu nesta terça-feira (4), aos 42 anos, vítima de Covid. Criador de Dona Hermínia e de outros personagens inesquecíveis no teatro, na TV e no cinema, ele estava internado desde 13 de março no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Nesta quarta (5), fãs deixaram flores na porta da unidade para lembrar do ator.
Paulo Gustavo deixa o marido, Thales, e dois filhos pequenos, Gael e Romeu, além do pai, Júlio Marcos, da irmã, Juliana Amaral, e da mãe, Déa Lúcia Amaral, que inspirou a criação de Dona Hermínia.
Durante os mais de 50 dias de internação do ator, a família compartilhou o dia a dia do tratamento e fez pedidos de oração.