Confiança da construção registra menor nível desde setembro, diz FGV

Indicador registrou terceiro recuo mensal seguido. A confiança da construção registrou o menor nível desde setembro de 2018, apontou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 1,8 ponto entre abril e maio, para 80,7 pontos. Em médias móveis trimestrais, o ICST recuou pela terceira vez consecutiva, agora em 1,4 ponto.
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Com a queda do ICST em maio, o índice continua sem registrar alta neste ano e acumula perda de 4,7 pontos nos cinco primeiros meses de 2019. O resultado foi influenciado principalmente pelo Índice de Expectativas (IE-CST), que diminuiu 3 pontos, a maior queda na margem desde agosto do ano passado (-3,2 pontos). O índice ficou em 89,4 pontos, influenciado por indicador de demanda prevista, que cedeu 2,7 pontos, para 89,4 pontos, e indicador de tendência dos negócios, que declinou 3,3 pontos, para 89,5 pontos.
O Índice de Situação Atual (ISA-CST) registrou baixa de 0,6 ponto em maio, para 72,4 pontos. O resultado negativo do ISA-CST foi exclusivamente influenciado pelo indicador que mede o grau de satisfação com a situação atual dos negócios, que retraiu 1,4 ponto, retornando ao nível próximo de setembro de 2018 (74,1 pontos).
O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) do setor ficou relativamente estável, em 66,3% em maio, após se situar em 66,2% um mês antes.
Demanda e emprego
Acompanhando a piora nas expectativas em relação à demanda nos próximos meses, os empresários ajustaram para baixo suas previsões de contratação.
“A conjunção de baixo crescimento, contingenciamento de recursos orçamentários com aumento das incertezas desanimou os empresários da Construção. A percepção vigente na virada do ano, de que havia uma melhora lenta mas contínua no ambiente de negócios, dá lugar a um pessimismo, cada vez mais disseminado entre os segmentos do setor. Em maio, o aumento do pessimismo afetou especialmente a área de edificações residenciais e de obras viárias”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV.
“Depois de um período de forte contração do mercado de trabalho – entre dezembro de 2013 e dezembro de 2018 – em que as construtoras demitiram cerca de 1,2 milhão de trabalhadores – as empresas iniciaram o ano contratando. A piora do cenário ameaça esse movimento de recuperação do mercado de trabalho”, conclui.
A sondagem coletou informações de 563 empresas entre os dias 2 e 22 de maio.