Como temporada agitada deve levar ao uso de letras gregas para nomear furacões

Com apenas mais um nome sobrando na lista deste ano, Wilfred, as letras do alfabeto grego serão usadas para nomear as próximas tempestades. Com a formação das tempestades tropicais Teddy e Vicky na segunda-feira (14/09), já foram nomeadas 20 tempestades neste ano.
Com apenas mais um nome sobrando na lista de nomes pré-determinados para furações, Wilfred, as letras do alfabeto grego serão usadas para nomear as próximas tempestades.
Esta seria apenas a segunda vez na história que isso ocorreu.
A temporada atual tem sido extremamente repleta de tempestades. Em meados de setembro, as estatísticas do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos mostraram que normalmente teríamos, em média, sete sistemas nomeados na época. Este ano, porém, tem estado longe do normal, com 13 acima da média.
Uma das características mais marcantes ​​desta temporada foi o quão cedo cada uma das tempestades nomeadas se formou em relação aos anos anteriores. Teddy e Vicky, por exemplo, foram as primeiras tempestades com nomes ‘T’ e ‘V’ registrados.
Nada disso, entretanto, surpreendeu os meteorologistas, já que as condições previam uma temporada movimentada.
As previsões da National Oceanographic Atmospheric Administration (NOAA) e da Universidade do Estado do Colorado, nos Estados Unidos, previam que 2020 teria cerca do dobro do número médio de tempestades nomeadas de 1981-2010.
Existem apenas 21 nomes na lista da Organização Meteorológica Mundial dedicada a cada ano, então, se as previsões se concretizarem, o alfabeto grego será usado para nomear o restante.
Gerry Bell, o principal meteorologista da temporada de furacões da NOAA, afirmou que a previsão de sua organização de ter até 25 tempestades nomeadas é inédita para eles.
O alfabeto grego só foi usado uma vez antes, no recorde da temporada de furacões de 2005, quando 27 tempestades foram nomeadas. Terminou com a tempestade tropical Zeta no final de dezembro.
Foi também a temporada em que o furacão Katrina, de categoria 5, causou grandes danos na Louisiana e no Mississippi — um dos desastres naturais que causaram mais danos da história dos Estados Unidos.
Por que esta temporada está tão intensa?
Há vários fatores necessários para o surgimento de um furacão ou tempestade tropical. Isso inclui uma temperatura da superfície do mar superior a 26°C e instabilidade na atmosfera próximo à África Ocidental. Também é necessário que haja pouco cisalhamento (rápida variação de direção e velocidade) do vento.
E é isso que vimos até agora neste ano. As temperaturas da superfície do mar no Atlântico têm estado consistentemente em torno de 1-2ºC acima do normal durante o verão — ocupando quarto lugar entre as mais quentes já registradas, de acordo com meteorologistas da Universidade Estadual do Colorado.
Durante o resto de setembro e até outubro, a temperatura da superfície do mar permanecerá alta o suficiente para potencializar a formação de tempestades tropicais.
O outro ingrediente principal para uma tempestade tropical — baixo cisalhamento do vento — também foi extremamente baixo em julho.
As previsões sazonais publicadas sugerem que há uma forte conexão entre o cisalhamento do vento em julho e o cisalhamento médio do vento entre agosto e outubro, portanto, podemos esperar que isso também aumente a atividade de tempestades no Atlântico.
O último fator que contribui para a previsão de uma estação ativa é um padrão climático natural denominado Enso – El Niño Oscilação Sul, que descreve o estado das temperaturas da superfície do mar e os padrões de vento no Oceano Pacífico, que têm implicações climáticas em todo o globo.
Quando essa oscilação está em uma fase neutra ou negativa — conhecida como La Niña — a atividade do furacão tende a aumentar. A NOAA anunciou em meados de setembro que as águas do Pacífico oriental haviam esfriado o suficiente para a formação do La Niña.
A mudança climática é um fator que contribui?
Ligar os ciclones tropicais às mudanças climáticas é complicado. Os climatologistas estão pesquisando ativamente nesta área e os estudos até agora sugerem que podemos ver grandes tempestades mais intensas em um mundo em aquecimento.
No entanto, como há muitos fatores envolvidos, não podemos dizer se a mudança climática provocada pelo homem tem um efeito em situações únicas como esta.
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